Empresas brasileiras de TI foram as que mais contrataram na América Latina

Empresas brasileiras de TI foram as que mais contrataram na América Latina

Na comparação entre Brasil e outros 18 países da América Latina, as empresas nacionais de TI são mais maduras e contrataram mais nos últimos 12 meses. Mas o país também registrou o maior número de desligamentos. Além disso, as companhias brasileiras continuam tímidas em relação a investimentos no mercado externo e  em 2014 o setor de tecnologia investiu pouco em pesquisa e desenvolvimento. Esse é o cenário apontado pela edição 2014 do Censo realizado pela Federação das Associações das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro Nacional).

Praticamente 90% das empresas brasileiras  que participaram do levantamento contrataram novos colaboradores nos últimos 12 meses, com uma média de 33 pessoas por companhia. É um índice superior ao registrado na América Latina, que teve 85% das companhias com cerca de 30 funcionários. Em compensação, o número de desligamentos (voluntários ou não) também foi alto: média de 31 pessoas, contra 21 na região.

“Não foi um ano fácil para o setor de TI. O calendário apertado por conta da Copa do Mundo e Eleições aliado às questões econômicas e políticas seguraram parte do crescimento das empresas”, comentou Luis Mario Luchetta, presidente da Assespro Nacional.

As companhias nacionais também continuam priorizando o consumo interno ao invés de buscar novos negócios no exterior: 83% delas não realizam qualquer tipo de exportação. Em contrapartida, nos outros 18 países a média é muito maior, pois mais da metade realizam negociações com companhias estrangeiras.

A estagnação da economia em 2014 fez o setor de tecnologia de informação investir pouco em pesquisa e desenvolvimento. Uma em cada cinco empresas do Brasil não realiza qualquer investimento na área. Dentre as que realizam, a preferência é por temas de aplicações de sistemas de informação, com 38%, seguido por criação e gerenciamento de softwares, com 29,3%, e sistemas de informação em World Wide Web, com 25,6%.

Outra área que merece atenção é a utilização de software livre em sistemas operacionais. Mesmo com os esforços governamentais, o uso de código aberto ainda não é popular. Ao todo, 82% dos entrevistados utilizam o Windows, da Microsoft, contra 42% do Linux – uma diferença de 30 pontos percentuais. A diferença na região é menor: 76% contra 46%.

A pesquisa mostra ainda que as empresas de TI no país não são jovens e mais da metade possui entre 14 e 28 anos de existência, o que indica corporações maduras e estabelecidas. Apenas 39% delas foram criadas no século 21. Na América Latina acontece o inverso, com mais fundações ocorrendo nos últimos 15 anos.

O censo ouviu, ao todo, 814 empresas, gerando uma base de dados com mais de 80 mil respostas. As companhias brasileiras correspondem a 53% do total, seguindo a tendência do mercado. Colômbia, Argentina, Equador e Paraguai, nesta ordem, completam os cinco principais países do levantamento.

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