Laboratório brasileiro participa de projeto colaborativo do CERN

Laboratório brasileiro participa de projeto colaborativo do CERN

Um dos maiores experimentos colaborativos da história do CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), o CMS (Compact Muon Solenoid), terá o envolvimento direto de uma empresa brasileira que é referência em montagem de placas para projetos de inovação. Desde o mês passado, a catarinense Produza é a responsável pela montagem de placas eletrônicas de alta complexidade para uma das peças do CMS, o Calorímetro Hadrônico (HCAL), capaz de medir a energia (ionização) das partículas, que são proporcionais ao calor emitido.

Em funcionamento desde 2009, quando iniciou a operação do maior acelerador de partículas do mundo (LHC), o projeto do CMS envolve mais de 3 mil cientistas, engenheiros e estudantes de 172 instituições de 40 países diferentes. O experimento foi concebido para explorar as partículas fundamentais da matéria, os quarks e léptons, e também para pesquisar novos fenômenos que ajudarão a responder a perguntas sobre a composição, as propriedades e o comportamento das partículas do Universo. O CMS está a 100 metros abaixo do solo, na França, e é um dos maiores detectores de partículas do mundo, pesando 14.000 toneladas, ou cerca de 465 Boeings 737.

As peças do maquinário foram projetadas e construídas em vários institutos por todo o mundo e, agora, estão sendo aprimoradas. Um dos principais parceiros no Brasil deste experimento é o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), localizado no Rio de Janeiro, que levou o projeto de montagem das placas à Produza. Neste projeto, o CBPF, com a colaboração de pesquisadores da UERJ e do CEFET/RJ, é responsável pela atualização do modo eletrônico para leitura e digitalização dos dados dos detectores de partículas. As melhorias propostas são principalmente ligadas à eletrônica de transmissão de sinal e à aquisição de dados.

Para a produção desse novo módulo, as placas de aquisição de dados deverão ser redesenhadas e remontadas. Como o CBPF é um instituto de pesquisas e não tem equipamentos para produção de placas e circuitos eletrônicos, a montagem de cerca de 100 placas será feita pela Produza. De acordo com o físico do CBPF Gilvan Alves, a terceirização é uma forma de otimizar o processo e reduzir os custos. “O projeto e fabricação da placa de circuito impresso (PCB) é um dos trabalhos críticos. Por causa do alto número de interconexões entre os chips e a alta dose de radiação à qual as placas serão submetidas, escolhemos a empresa por ser mais preparada”, relata.

A Produza investe na produção de placas mais complexas, com componentes sensíveis, para volumes pequenos e médios. Com 55 funcionários e uma média 1,7 milhão de componentes produzidos ao mês, também investe na aproximação com outros instituições de pesquisa e empresas que atuam no desenvolvimento de hardwares e placas de circuito, o Instituto Eldorado, Fitec e Macnica DHW.

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