SAS Brasil deve ter crescimento mais moderado este ano

A matriz do SAS tem uma aposta grande na subsidiária brasileira. Como parte dos bons resultados, a operação no país alcançou a sexta posição no ranking global da companhia ao registrar uma expansão de 15% em sua receita. Esse desempenho, entretanto, poderá não se repetir este ano assim como a participação setorial em seu faturamento não deverá se alterar muito, com uma liderança significativa dos serviços financeiros, seguidos de telecom e governo. Mas a empresa que ampliar sua presença em outros mercados, como varejo, que teve o maior crescimento dos últimos cinco anos, utilities e general business, esse último ganhando inclusive uma nova área voltada para aqueles que não necessitam de uma infraestrutura tão robusta e que será mais focada nas regionais e horizontal.

Márcio Dobal, executivo que comandou a empresa desde 2008 e em janeiro foi nomeado vice-presidente para a América Latina, não está muito otimista de que a empresa repetirá o mesmo desempenho de 2014 este ano. Para ele, a expansão poderá ficar na faixa de 10%, abaixo inclusive da expectativa para outros países latino americanos que, na sua avaliação, se situa entre 15% a 20%. O executivo não chega a garantir nem que a sexta posição será mantida ou se será possível subir algumas posições no ranking. Na sua avaliação, França e Japão, que aparecem logo depois do Brasil, podem surpreender. “Os PIBs (Produto Interno Bruto) desses países são maiores, eles têm uma mentalidade mais aberta para a inovação e são mais educados digitalmente”, ressaltou. O Brasil ficou atrás apenas dos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Itália e Canadá.

Parte das expectativas de crescimento no país do SAS estavam no segmento governo que, agora, começam a ser reavaliadas. Dobal chegou a apostar que essa vertical iria superar a de telecom nos resultados da empresa em 2015. “Há muitos projetos em pipeline. Mas diante dos últimos acontecimentos que estamos vendo no governo acho difícil que haja muito investimento em TI este ano”, ressaltou. Serviços financeiros respondem por 50% do resultado, telecom por 25% e governo por 15%.

As áreas que mais se destacaram no SAS foram a de Risco, com crescimento de 246% nas vendas, de Gerenciamento de Dados, com 173% que foi o maior resultado da companhia nas Américas, e Customer Intelligence, com 71%. Apesar de ser uma das áreas que compõe os 10% restantes do faturamento da SAS, varejo tem demonstrado crescimento significativo. O setor teve uma expansão de 35% nos resultados no ano passado.

A companhia decidiu atuar mais fortemente em novos mercados que necessitam de soluções que se situam na faixa intermediária, nem tão robusta quanto a exigida pelas grandes empresas, nem tão básica quanto alguns produtos no mercado. Esse foco envolve, principalmente, as pequenas e médias empresas (PMEs). “As pequenas e médias também estão atentas à importância da análise preditiva e é fundamental haver um canal de comunicação mais orientado a esse segmento”, comentou Cássio Pantaleoni, vice-presidente do SAS Brasil.

A área de General Business, como é denominado esse segmento, representa cerca de 11% das vendas e a expectativa é dobrar este ano segundo Pantaleoni. Para chegar a esse público que não se encaixa no perfil tradicional dos clientes da companhia, a empresa optou por três caminhos, equipes de venda direta, de vendas remota (GB Inside Sales) e por meio de parceiros. A maioria das empresas que entram no radar do SAS já possuem back-offices informatizados e conseguem analisar alguns dados.

As frentes tecnológicos com que o SAS continua trabalhando são cloud analytics, gerenciamento de dados, Hadoop, customer intelligence, fraude e risco. Em Hadoop, plataforma de software em Java de computação distribuída que permite o processamento de grande volume de dados, o SAS lançou uma solução que tenta superar um obstáculo nessa área. Segundo Monica Tysler, diretora de soluções, havia uma grande dificuldade de preparação desses dados obtidos mais velozmente no processamento distribuído, o que exigia uma conhecimento muito grande de várias linguagens e um perfil de cientista de dados de alto nível. Em fevereiro, a empresa lançou o Data Loader for Hadoop, que automatiza vários procedimentos sem exigir a necessidade de conhecimentos específicos.

No ano passado, o SAS bateu recorde de receita mundialmente, atingindo US$ 3.09 bilhões o que representou um crescimento de 2,3%. O desempenho foi beneficiado principalmente pela demanda de soluções de cloud analytics e visualização de dados. A receita de cloud analytics cresceu 24% com mais de 400 consumidores em 70 países. O SAS Visual Analytics, lançado há dois anos, obteve licenciamento em 3.400 locais e sua receita aumentou 12%.

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