Serviços ganham novo status na estratégia da Huawei

Serviços ganham novo status na estratégia da Huawei

Eric Xu, CEO da Huawei dentro do esquema rotativo adotado pela empresa, quer dar outro status para serviços na nova estratégia da companhia. Se a proposta era ser uma das líderes no fornecimento de produtos e ter serviços como apoio a partir de agora ambos estarão no mesmo patamar e vão trabalhar juntos para impulsionar o crescimento. Essa orientação envolve praticamente todas as linhas de atuação da gigante chinesa, mas os reflexos estarão mais evidentes na unidades de carrier, que responde por 67% do faturamento, e na de enterprise, que participa com 7% de receita mas sobre a qual há grandes expectativas de expansão. Esse reposicionamento no mercado corporativo levou, inclusive, ao adiamento da projeção de receita de US$ 10 bilhões nessa área, que passa de 2017 para 2018.

Para o executivo, um novo modelo de experiência do usuário surgiu em todas as indústrias. E a Internet tem sido o ponto central dessas mudanças  que, na sua avaliação, têm como demandas “tempo real, on-demand, All-online, DIY (faça você mesmo, na tradução em português) e sociais. Juntos, esses componentes geram o conceito de Roads, nome com o qual a empresa  denomina sua estratégia de tentar ajudar seus clientes no processo de transformação digital.

Willian Xu, diretor da estratégia de marketing da companhia, reforçou que para atender ao desenvolvimento de negócios no futuro será necessário ter produtos e serviços alinhados nesse processo. “Nós podemos ajudar tanto empresa quanto operadoras nessa proposta de transformarem suas redes, a arquitetura de TI e a experiência do cliente”, observou. Esse caminho,
entretanto, vai exigir muito mais do envolvimento com clientes e parceiros na sua avaliação. “Ninguém pode mais fazer tudo sozinho”, ressaltou. Não por acaso, a tônica dos discursos da Huawei durante o Global Analysts Summit 2015, realizado em Shenzhen, passou por dois pontos importantes, colaboração e sistemas abertos.

Eric Xu, por sua vez, adiantou o caminho, ou Roads, que a Huawei pretende implementar para a nova fase do mercado e que passa pelo investimento de US$ 300 milhões em três anos em consultoria e integração de sistemas e metodologias, ferramentas e plataformas de rede e de transformação dos data centers. Isso envolve construir laboratórios dedicados a pesquisas para provedores de serviço, melhorar o CETC (Customer Experience Transformation Center), e criar comunidades Open Roads, para atingir as melhores práticas de compartilhamentos e exploração de futuras tendências.

Toda essa movimentação, no redesenho feito pela Huawei, tem ainda na sua base os esforços para uma nova arquitetura de rede que consiga dar respostas mais ágeis, flexíveis e de forma mais aberta aos usuários. Para colaborar com parceiros, a empresa tem investido em Open Labs voltados para o desenvolvimento de soluções SDN (Software Defined-Network) e NFV (Network Function Virtualization). O primeiro Open Lab desse porte foi lançado no ano passado em Xian, na China, e terá como foco prover a
pré-integração de sistemas e validação de plataformas para parceiros, comentou Eric Xu. Do investimento de CFY (yuan chinês) 28 bilhões realizado no período 2014-2014, SDN/NFV, data center, cloud, e roteadores IP estiveram em destaque.

Apesar de trabalharem com as mesmas tendências tecnológicas, as áreas de enterprise e carrier terão abordagens diferentes, segundo Eric. Para o mercado corporativo, a companhia adota o conceito de “sendo integrado”, muito mais do que ser parte da integração, um movimento que acredita estar mais em sintonia com sua abertura de validar parcerias.

No ano passado, a área de enterprise obteve um crescimento de 27,3% no seu resultado, passando de um faturamento de CNY 15,2 bilhões para CNY 19,4 bilhões, ou US$ 3,1 bilhões. De acordo com o vice-presidente Fan Chang, a unidade de empresas vem atingindo marcas importantes desde que se tornou uma unidade de negócios, em 2011, como a terceira colocação no mercado de Ethernet, se tornou a segunda fornecedora de switchs para data centers na China e também a segunda posição no fornecimento de routers específicos para a área de enterprise. As verticais que estão no foco da companhia são governo, finanças, transporte e energia.

Mas a empresa colocou no próprio caminho da unidade de enterprise uma meta significativa,  a de atingir a receita de US$ 10 bilhões em 2017, o que a faria representar aproximadamente 15% da receita, o dobro do que possui atualmente. No ano passado, Eric Xu chegou a dizer que somente a partir daí a companhia poderia dizer que havia entendido o mercado corporativo e adquirido a capacidade necessária para um desenvolvimento rápido.

Durante a abertura do Global Analyst Summit 2015, por sua vez, Xu anunciou que o objetivo de atingir essa receita poderá ser alcançado um ano após a programação inicial. Para Dabing He, presidente de marketing e venda de soluções, esse movimento é natural em um mercado que vem apresentando mudanças e não consiste no ponto central da estratégia de enterprise da companhia. “Mais que um ajuste na linha do tempo, nós temos crescido com parcerias fortes e tendo nosso valor reconhecido. E vamos ser líderes em investimentos em pesquisa e desenvolvimento nessa área”, ressaltou.

*A jornalista viajou a Shenzhen a convite da Huawei

2 comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Preencha: *
Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.