Chris Skinner: sob pressão digital, os bancos precisam se reiventar

Chris Skinner: sob pressão digital, os bancos precisam se reiventar

Com uma mentalidade do passado, os bancos estão sob uma pressão de transformação digital e precisam aproveitar o tempo para se reiventarem. Esse foi um dos principais recados dados por Chris Skinner, um dos mais influentes analistas sobre o futuro dos bancos, tecnologia e finanças, fundador e chairman do Financial Service Clubs, também CEO da Balatro, que produz pesquisas para esse setor, e autor de vários livros, sendo o mais recente o Digital Bank. Ele encerrou o primeiro dia do CIAB/Fabraban 2015 com um alerta sobre o avanço do mundo digital que pode fazer com que as instituições financeiras percam a relevância que têm hoje. Exemplos para isso não faltam e ele enumerou diversos deles durante sua apresentação, mostrando que os desafios se multiplicam e vão exigir mudanças estruturais no core dessas grandes instituições. Uma das ameaças está nas fintechs, startups voltadas para o mercado financeiro que já preocupam executivos de grandes bancos internacionais.

Para Skinner, a estrutura do “século passado” montada pelos bancos tem como pressuposto que suas atuações foram construídas para um distribuição física de papéis em um caráter quase que regional. Na sua avaliação, o desenho desse cenário precisa envolver a distribuição digital de dados em um ambiente globalizado. Ou seja, uma remodelação que muda de um pensamento do físico para o digital, um componente baseado em finanças, de canais para acesso, o que passa por mudanças no core, e de produtos para consumidor, incentivando comunidades.

Na avaliação do especialista, a Internet está modificando o valor do dinheiro, o que afeta diretamente os bancos. Vivemos hoje na sexta geração da web que traz mudanças comportamentais importantes, como o compartilhamento, e privilegia empresas como o Uber, Airbnb, Facebook, que criam uma rede cada vez mais ampla, conectando um maior número de pessoas. Soma-se a isso a mobilidade, um fator importante de transformação que muda o jogo também para as pessoas não bancarizadas, que ganham chance de inclusão financeira. Um dos exemplos citados por ele nesse caso é o M-Pesa, na África, onde a pessoa vai até uma loja de varejo e troca dinheiro por créditos eletrônicos.

O dinheiro também começa a ganhar mecanismos de transferência que não passam por bancos e são muito mais competitivos financeiramente. Como exemplo, citou a britânica TransferWise que tem obtido sucesso ao utilizar o sistema P2P para remessa de valores. Sem legados e com mais autonomia, elas conseguem uma taxa de 0,5% por transação enquanto as tradicionais remessas internacionais têm um custo de 5%. E a diferença ainda poderia ser maior levando em conta que essas empresas estão transferindo dados.

Nesse cenário, as fintechs ganham cada vez mais atenção e investimentos. Ele lembra que somente este ano startups do mercado financeiro receberam investimentos da ordem de US$ 30 bilhões, com a curva de crescimento ainda acentuada. “A grande questão é que atualmente as trocas de valores podem acontecer sem os bancos”, afirmou. Ele apresentou estimativas de que cerca de 20% dos lucros dos bancos poderão passar para as mãos das fintechs em cinco anos.

A Internet das Coisas, na sua avaliação, também será mais um desafio sendo colocado para as instituições financeiras, que terão de lidar com um alto volume de dados e informações. Ainda há pela frente novos pontos de pressão, como robôs e a Internet cada vez mais onipresente.

Skinner acredita que o mercado brasileiro tem mais chances de enfrentar os desafios do que países maduros, adotando modelos mais inovadores. Para ele, o país pode investir em novas tecnologias sem perder tanto com legados e migração de plataformas. Em contrapartida, ele considera que grandes bancos europeus e americanos possuem uma mentalidade mais conservadora e lentidão para efetuarem mudanças.

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