Adoção de Big Data é mais rápida do que nuvem no Brasil, diz presidente da EMC

O crescimento da EMC Brasil não deverá passar de um dígito este ano, bem menos dos que os 18% registrados no ano passado. Mas a desaceleração econômica, muito acentuada no segundo trimestre, não vai alterar seu programa de investimentos no país, que prevê inclusive a entrada de novos produtos no processo de fabricação local. Analíticos e soluções de Big Data estão sendo o ponto forte de seu desempenho, uma área que continua em expansão segundo o presidente da companhia, Carlos Cunha. “No mercado brasileiro, a adoção de Big Data tem sido muito mais rápida do que a de cloud”, garante o executivo.

Na sua avaliação, esse movimento se justifica pelo fato de que as soluções de Big Data trazem um retorno rápido para as empresas, não exigem muitas mudanças operacionais e podem ser implantadas de forma mais independente o que evita problemas com os sistemas legados. “O ROI (retorno sobre o investimento) é muito mais perceptível, as soluções são implantadas mais rapidamente e em dois, três meses é possível ver os resultados, gerando mais receita para novos investimentos”, observou.

Apesar de alimentar os negócios da empresa, essa utilização do Big Data unicamente para resolver casos que atendam a demandas específicas, sem uma mudança conceitual na cultura e na operação da empresa, preocupa Cunha. Tanto que ele adotou uma política de levar semanalmente seus cientistas de dados até os CIOs para conversas gerais sobre o potencial das novas tecnologias e como elas podem transformar a TI dentro das organizações. “São conversas sem compromissos de vendas de produtos, mas apenas para discutir cenários e possíveis estratégias tecnológicas no médio e longo prazo”, ressaltou. Dessa forma, a EMC quer ajudar seus clientes a aprofundar o processo de transformação digital a partir das áreas de TI.

Não por acaso, o tema do EMC Fórum, que se realiza em São Paulo na próxima semana, será Redefine.Next, que se propõe a instigar a redefinição da TI para atender às novas exigências de um mundo conectado, móvel e digital. Cunha enxerga esse processo em duas etapas importantes, uma que envolve o formato tradicional de atuação das companhias, mas com a adoção de novas ferramentas e modelos que permitam mais agilidade e economia de custos e o outro, apesar de conviver com o tradicional, é mais disruptivo e leva a empresa a um novo patamar de inovação.

Essa relutância em adotar processos que signifiquem mudanças operacionais mais profundas em TI é, na sua avaliação, um dos fatores que está provocando mais lentidão do que o esperado na adoção de cloud. “Quando falamos de nuvens mais simples, públicas, não há tanta resistência. Mas quando entramos no mundo das nuvens híbridas, combinando com a cloud privada, a questão fica mais complicada porque isso significa alterações na operação, em mexer com sistemas legados e garantir a comunicação entre plataformas”, reforçou. As empresas enxergam mais riscos nessa fase, se tornando mais cautelosas. “Mas se não houver um planejamento adequado para que essas mudanças necessárias sejam feitas, essa estrutura dificilmente será alterada comprometendo os planos para o futuro”, ponderou.

Cunha não considera que os obstáculos para o uso mais disseminado de cloud estejam concentrados na área de segurança, como foi no passado. “As empresas devem investir em sistemas preditivos que podem detectar rapidamente mudanças de perfis e impedir ataques. Isso vale para a nuvem e para o que não está na nuvem”, disse. Ele teme também que o país gere um gap em relação aos países mais desenvolvidos na adoção dessa tecnologia na área governamental. “Nos Estados Unidos, por exemplo, o governo Obama estabeleceu cloud como uma política pública, assim como fez como Big Data. Ele tem dois especialistas dessas áreas no comando dessas políticas dentro do governo. Nós precisamos ter essa decisão, essa estratégia”, comparou.

A EMC inaugurou no ano passado, no Rio de Janeiro, o seu centro de pesquisas que se propunha a ser o hub mundial da empresa para inovação no mercado de gás e petróleo. Apesar de ainda manter essa característica foi ganhando novas aplicações, como o uso de Big Data para projetos de smart cities. Um dos parceiros nesse ponto é a Prefeitura do Rio de Janeiro para um trabalho conjunto na área de transportes e saúde.

Em relação à instabilidade econômica, Cunha disse que o desempenho do segundo trimestre mostrou uma forte retração, a maior até agora. “Mas eu acho que não podemos julgar o desempenho do ano por esses três meses de aprofundamento da crise”, analisou. Ele ressaltou que as empresas não estão adiando projetos, mas tentam fazer uma engenharia financeira para que o orçamento feito no ano passado, em dólar, se adeque à realidade atual de forte desvalorização cambial. No caso da EMC, observou que não está alterando investimentos e nem mesmo seus projetos de produção local. Em junho, anunciou o quinto produto que passou a fabricar localmente, a sua principal solução de armazenamento XtremIO, e em setembro deverá ter mais novidades nessa área.

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