Projetos complexos de mobilidade

Paulo Delpizzo, Diretor de Soluções de Mobilidade da Navita

Empresas ao redor do globo continuam olhando a mobilidade como oportunidade para otimizar a rentabilidade e eficiência operacional.  Muitas delas estão mirando em soluções tecnológicas específicas para operações de campo e que supram as necessidades de colaboradores que passam muito tempo fora do escritório.

Entretanto, a disponibilização de tecnologias móveis tem se mostrado um grande desafio, especialmente em ambientes complexos. Em minha trajetória de mais de 10 anos atuando nesse mercado, pude acompanhar muitos esforços que falharam. E o resultado desses fracassos são quase sempre os mesmos: frustação dos usuários, desafios tecnológicos não superados e expectativas de retorno financeiro. Então porque tantos projetos de mobilidade fracassam?

Talvez o primeiro ponto é assumir que a tecnologia empregada, por si só, não resolve todos os problemas intrínsecos ao âmbito da computação móvel. Outro obstáculo é que na maioria das organizações, especialmente as que existem há muitas décadas e, portanto, menos abertas a grandes mudanças e quebras de paradigmas, têm grande dificuldade de evoluir seus processos e recursos tradicionais para atender às novas necessidades da mobilidade corporativa. Em outras palavras, a usabilidade desses sistemas corporativos não foi pensada originalmente para atender usuários móveis.

Soluções corporativas de mobilidade possuem características únicas, pois devem distribuir aplicativos e dados de forma inteligente, enquanto gerenciam complexidades técnicas que vão desde segurança da informação ao uso otimizado dos recursos de rede móvel. Sem nunca esquecer de que pensar como controlar todos os custos envolvidos nesse cenário é essencial, como licenças de ferramentas de MDM, custos com pacotes de dados e controle do inventário de ativos móveis (smartphones e tablets).

O que considerar em um projeto complexo de mobilidade?

  • Acesso a múltiplos sistemas legados, com diferentes fontes de dados e controle de acesso;
  • Necessidade de atender uma combinação enorme de dispositivos na ponta, com variedade aparelhos, sistemas operacionais e fabricantes;
  • Requisitos de aplicações móveis que incluem fluxos de trabalho padronizados sem relação direta com os sistemas legados atuais –  soluções já projetadas para atender demandas de mobilidade;
  • Múltiplos departamentos dentro da companhia, cada qual com seus requerimentos técnicos e funcionais, como se fossem organizações separadas, mas que no final do dia devem falar a mesma língua;
  • Logística de dispositivos eficiente para garantir a continuidade do projeto. Sistemas maduros deveriam estar integrados ou possuir um Portal de Procurement que permitisse ao usuário solicitar um novo dispositivo acessar o portal e requisitar um novo dispositivo e um novo chip já ativado e que, no dia seguinte, o dispositivo já estivesse em sua mão.

 

Quais os riscos envolvidos?

Toda essa complexidade evidentemente acarreta riscos como: não engajamento dos usuários, longos prazos para a efetiva mobilização de processos de negócios e até soluções desenhadas às pressas para atender às necessidades impostas geralmente pela diretoria da empresa sem o adequado planejamento, dentre outros.

E o curioso é que muitos projetos de mobilidade fracassaram por que a solução de mobilidade corporativa foi implementada pelos próprios clientes ou por grandes integradores que, por alguma razão – talvez excesso de confiança – acharam que se tratava apenas a implantação de outro sistema como tantos outros.

Na verdade, esquecem que mobilidade corporativa pouco ou nada tem em comum com sistemas corporativos tradicionais, pois seus requerimentos e complexidade não tem paralelo algum com o que costumo chamar de “antiga TI”, aquela que não nasceu móvel e para a qual essa mudança é algo muito difícil de assimilar.

Para se iniciar qualquer projeto de mobilidade corporativa, as empresas devem ter muito claros os seus objetivos e expectativas com a mobilização de processos de negócio.

Quais os benefícios que um projeto de mobilidade pode trazer a curto prazo?

Tradicionalmente, os mais comuns e os primeiros objetivos a serem identificados em um projeto de mobilidade bem-sucedido são:

  • Redução de processos manuais, altamente sujeitos a erro por incluir o fator humano;
  • Redução dos custos operacionais;
  • Aumento da eficiência da força de trabalho mobilizada;
  • Maior controle do processo produtivo.

No plano estratégico, projetos de mobilização corporativa deve incluir benefícios de grande alcance e longo prazo, incluindo aumento de visibilidade do fluxo de trabalho, otimização do processo de trabalho e apoio à tomada de decisão.

Concluindo

Uma vez que a estratégia de mobilidade foi devidamente planejada, levando-se em consideração impactos futuros em sua infraestrutura, gestão de processos, suporte técnico e segurança da informação, esses objetivos logo irão se traduzir em benefícios concretos ao negócio e com o retorno financeiro desejado.

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