Big Data, Smart Grid e IoT no novo Plano Diretor da CPFL

Big Data, Smart Grid e IoT no novo Plano Diretor da CPFL

Em outubro, a CPFL Energia deverá finalizar o segundo ciclo de seu Plano Diretor de Tecnologia, que vai vigorar até 2020. No planejamento dessa etapa devem entrar questões muito importantes para a evolução tecnológica da concessionária de energia elétrica, como Big Data, Internet das Coisas (IoT), mobilidade e aprofundamento de sua estratégia de redes inteligentes que, inicialmente, se voltou para seu programa de medição avançada e chega agora à automação e distribuição em cidades do interior de São Paulo. Para essa nova fase, tem como base os resultados positivos alcançados na implantação de smart meters para aferir o consumo de cerca 25 mil clientes do chamado grupo A, os maiores consumidores industriais e comerciais que representam cerca de 30% de sua receita. Está em estudo a possibilidade de ir mais além e levar os sensores de medição também para aproximadamente 2 milhões de consumidores do grupo B.
Marcelo Carreras, diretor de Tecnologia da Informação da companhia, afirma que a primeira etapa do Plano Diretor de Tecnologia, elaborado em 2010, está praticamente consolidada. Isso resultou em uma nova arquitetura de sistemas e aplicações para todo o grupo, o que não quer dizer pouca coisa. Hoje, o grupo CPFL Energia atua nos segmentos de distribuição, geração e comercialização de energia elétrica e de serviços de valor agregado. No segmento de distribuição, por meio de 8 empresas, a CPFL é líder com 13% de participação no mercado brasileiro,  atendendo a 7,4 milhões de clientes. Na geração de energia elétrica atua com três companhias sendo que uma delas, a CPFL Geração, tem sob seu comando mais cinco empresas. O mesmo se repete na comercialização, com duas subsidiárias integrais e uma delas com mais três abaixo. E ainda mais quatro empresas na área de serviços.
Na área de gestão empresarial, a escolha da companhia foi pela solução Hana, da SAP. E foi implantado um único ERP (sistema integrado de gestão empresarial) que unifica todos os sistemas comerciais, os aplicativos de engenharia, mapas cartográficos e diversos outros sistemas. Aos poucos, a mobilidade também começou a chegar à CPFL e hoje o sistema de despachos, por exemplo, permite que técnicos possam receber suas ordens de serviço, ou acionar dados para qualquer dúvida, via dispositivos móveis. A empresa tem 1500 tablets e smartphones nas mãos desses profissionais e está entregando mais 600 smartphones para serviços técnicos e comerciais.

“Também unificamos a parte de infra de TI e montamos uma cloud privada que está hospedada no nosso data center em Campinas”, diz Carreras. E foram utilizados todos os mecanismos de virtualização para storage, servidores e desktops. Ao mesmo tempo, ainda como parte da primeira fase do plano diretor, foi dado início às primeiras iniciativas de smart grid, com uma rede mesh implantada pela Silver Spring que passou a atender ao programa de Medição Avançada.

Carreras observa que como os 25 mil clientes do grupo A são dispersos, o atendimento em alguns pontos foi complementado com o uso da rede 3G de telefonia móvel. “A grande maioria dos consumidores estão cobertos pela rede mesh, mas há alguns que estão mais isolados e para eles montamos essa estrutura híbrida”, ressalta. Os dados da coleta são enviados para a nuvem privada e entregues dessa forma ao sistema de faturamento. Esse projeto levou cerca de dois anos e meio entre a elaboração e sua implantação.

Outro ponto que exigiu muito esforços da companhia foi a integração da plataforma de telemedição dos clientes industriais, com os sistemas de Meter Data Management (MDM) e Meter Data Collection (MDC), à plataforma SAP CCS, aplicação inédita entre as empresas de energia elétrica na América Latina. O novo sistema, em uso desde dezembro de 2014, tem como objetivo proporcionar ganhos de produtividade às distribuidoras do grupo, melhorando a qualidade faturamento dos seus clientes. A solução encontrada foi, inclusive, premiada no Impact Awards 2015, oferecido pela Associação dos Usuários SAP (ASUG).

“Agora, temos desafios diferentes pela frente”, reforça Carreras. Os sistemas de BI (Business Intelligence) e analíticos, que formam o Big Data, ganham mais espaço na estratégia dos próximos cinco anos. “Temos um volume muito grande de informações e precisamos fazer com que eles gerem valor para a companhia e seus clientes”, ressaltou o executivo.

Esse tratamento das informações, por exemplo, pode ajudar no planejamento da entrega de energia de acordo com perfil dos consumidores. “Precisamos fazer com que essas informações tragam benefícios e mais vantagem competitiva”, afirma. E em um país que atravessa uma grave crise hidrológica, esses dados podem se tornar ainda mais valiosos.

Esses dados vão se avolumar à medida que a empresa também avança no automatização da medição, englobando outros grupos, e aproveitando melhor os dados dos sensores que passam a compor uma rede de Internet das Coisas com módulos embarcados em redes inteligentes.

Mas ainda há etapas a serem vencidas quando se trata, primeiramente, de smart grid. “Para que se viabilize essa rede com smart grid são necessários investimentos muito altos”, afirma Carreras. Mas ele não tem dúvidas de que esse é o caminho para o Brasil alcançar níveis de eficiência em áreas estratégicas, como o fornecimento de energia elétrica, inclusive podendo proporcionar no futuro uma redução tarifária. “Podemos usar a tecnologia para tarifas compartilhadas, por exemplo”, acrescenta.

Esse é um tema que, de acordo com o executivo, está sendo tratado por todas as empresas da área de energia elétrica e é tema dos reguladores e também dos fabricantes. “O Brasil tem hoje 67 milhões de medidores, o que é um potencial muito grande para essa evolução”, salienta Carreras.  Além das questões regulatórias — trata-se de um setor que convive com muitas demandas nessa área –, ainda há outras tecnológicas a serem decididas.

Entre elas, o padrão nos equipamentos utilizados que garantam escala e interoperabilidade. Para Carreras, esse é um caminho que deve levar a padrões abertos. Como também envolve módulos embarcados que vão ter de assegurar confiabilidade no levantamento dos dados, entra em cena também o Inmetro. Mas, de qualquer forma, Carreras acredita que o assunto vá avançar significativamente e com a expansão da microeletrônica para produtos dessa área, poderá se viabilizar rapidamente.

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