Cisco quer transformar Porto Maravilha em “laboratório vivo”

Cisco quer transformar Porto Maravilha em “laboratório vivo”

A Cisco quer transformar o empreendimento Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, em um “laboratório vivo”, como classifica Rodrigo Uchoa, diretor de negócios e coordenador geral do projeto Rio 2016. Não por acaso, é nessa região que a empresa tem seu Centro de Inovação. A ideia é aproveitar sua participação como patrocinadora das Olímpiadas 2016 em um projeto mais inclusivo e amplo que permita experiências possíveis de serem absorvidas em uma futura plataforma de cidade inteligente. Nesse sentido, tem adotados medidas paralelas à instalação de seus equipamentos na rede de fibra óptica que vem sendo construída pela Embratel para atender ao megaevento esportivo, como a rede Naves de Conhecimento que promete um legado de TIC após os jogos ou mesmo seu desafio às startups para que apresentem  soluções que mostrem como a tecnologia pode beneficiar as comunidades e a cidade.

Uchoa acredita que as iniciativas em uma área da cidade, como o Porto Maravilha, devem render bons frutos. “Podemos começar com um bairro, uma área, para evoluirmos o projeto para uma cidade mais inteligente”, comentou. Segundo o executivo, a mesma estratégia, de apoio à inovação local, foi adotada pela companhia em 2012 como patrocinadora das Olímpiadas em Londres.

O Porto Maravilha é uma operação que abrange 5 milhões de metros quadrados, na região Portuária, e que deve ter o projeto de reurbanização finalizado no próximo ano. Ele é um dos principais pontos de apoio na estratégia de transformação digital da cidade, na visão da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Segundo  o secretário municipal de Ciência e Tecnologia, Franklin Coelho, estão sendo adotados “três caminhos criativos”. O da Cidade Digital, com a conclusão de um backbone de 480 quilômetros de rede de fibra ótica, que vai conectar 2 mil pontos e interligar governo, empresas e cidadãos. O de Cidade Inteligente, com o funcionamento do Centro de Operações Rio (COR), Central 1746, BRTs, VLT, Porto Maravilha e Naves do Conhecimento. E o de Comunidades Inteligentes, quando a população nos bairros usufrui e se apropria destas tecnologias que melhoram os serviços prestados pela Prefeitura sejam nas áreas de saúde, educação, mobilidade urbana, capacitação profissional, lazer e segurança, entre outras.

A Prefeitura ainda tem outro trunfo para estimular redes inteligentes na cidade. De acordo com Coelho, foi finalizado um estudo sobre o mapeamento do subsolo que, agora, pode ser base para implantação de sensores na infraestrutura disponível, transformando esses pontos em smart grids. “O estudo teve início quando os bueiros da cidade começaram a explodir. Agora vamos reunir concessionárias de energia, operadoras, empresas, para discutir redes inteligentes na cidade a partir daí”, afirmou o secretário.

As Olímpiadas 2016, que serão abertas em 5 de agosto, serão um ponto alto de exposição do trabalho que vem sendo feito. Mas, para Coelho, o legado tecnológico e de inclusão será permanente. A Cisco é o apoiador e fornecedor oficial de equipamentos de rede e servidores corporativos dos jogos. Segundo Uchoa, 54% do trabalho já está concluído. E a empresa já começa a discutir com os governos envolvidos qual será a destinação desses equipamentos posteriormente. Eles estão sendo instalados na rede que está sendo construída pela Embratel, mas o uso é exclusivo para os Jogos Olímpicos.

Há três alternativas para a utilização desses equipamentos na mesa. Como foram importados em regime de admissão temporária, eles podem ser devolvidos à matriz dos Estados Unidos de onde estão sendo importados. Podem ainda ser doados para governos em projetos de inclusão ou de apoio ao esporte, o que perpetuaria a isenção dos impostos. A terceira opção é a Cisco pagar os impostos e colocar as máquinas de volta a seu portfolio para operação comercial.

Uchoa não esconde que a possibilidade de doar os equipamentos é a que mais atrai a companhia nesse momento. “Mas desde que haja projetos de impacto social, com sustentabilidade, nas áreas de saúde, educação e segurança”, disse. Além de estender a cultura Cisco a outros públicos, o envolvimento da empresa nesses projetos poderá ajudá-lo ainda mais a garantir sua vaga no processo mais avançado de smart city do Rio.

Ao lado do Rio 2016, da Secretaria de Ciência e Tecnologia , a empresa lançou hoje o programa Abraça Capacitação, na qual defende mais uma vez que o legado não é apenas de infraestrutura urbana, mas de TIC e oportunidades de desenvolvimento econômico e social nas comunidades. Localizado na Nave do Conhecimento, em Triagem, está previsto para esse espaço a formação de 360 técnicos. “Pelo menos 200 estarão trabalhando nas Olímpiadas”, afirma Uchoa.

A Cisco fornece equipamentos e infraestrutura para as Naves do Conhecimento e seus programas de capacitação, incluindo a manutenção por três anos. Para Uchoa, há perspectivas de renovação desse período de manutenção mas para o secretário de Ciência e Tecnologia a renovação do acordo com a fornecedora poderá evoluir, inclusive, para outros projetos baseados em Parcerias Público Privadas (PPPs), o instrumento preferido e mais utilizado pela Prefeitura em seus projetos digitais e de preparação para as Olímpiadas.

Ao tentar garantir seu  espaço junto ao governo municipal para que seja um player importante no desenvolvimento do programa de cidades inteligentes, a Cisco entra disputa direta com outras grandes companhias de tecnologia. Entre elas a EMC, que tem seu centro de pesquisa e desenvolvimento no Rio e está desenvolvendo uma plataforma de cidade inteligente, com utilização de Big Data, que vai concentrar os aplicativos atuais e os futuros.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Preencha: *
Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.