Dell & EMC: as reações no day after

Dell & EMC: as reações no day after

Um dia após ser confirmada a aquisição da EMC pela Dell, por US$ 67 bilhões o que a coloca entre as maiores da história de tecnologia e um recorde quando se trata unicamente do mercado de TI, a repercussão começou rapidamente. Em geral, a ideia é de que a transação tenha um efeito disruptivo sobre o mercado, obrigando outras companhias tecnológicas a darem algum tipo de resposta. Mas há quem acredite que os desafios se acumularão. Em um email enviado para encorajar seus funcionários, Meg Withman, CEO da concorrente HP, alertou que o nível de endividamento da Dell para realizar a transação não lhe dará muito espaço para desenvolver e trabalhar novas ideias. A executiva também prevê um caos nos canais de vendas dos produtos das duas companhias. Já o CEO da Cisco, Chuck Robbins, lembra que o trabalho para consolidar empresas desse porte não é pequeno e há exemplos históricos sobre os problemas enfrentados.

Na avaliação de Withman, o peso da dívida não será pequeno. Afinal, disse, a Dell irá pagar sozinha US$ 2,5 bilhões de juros anualmente. “Esses US$ 2,5 bilhões que seriam investidos em P&D ou outras atividades estratégicas que os manteria servindo melhor a seus consumidores”, disse a executiva. A Dell, entretanto, não revelou o valor dos juros que serão pagos anualmente.

Mas de qualquer forma, para o mercado começa a surgir um sinal de alerta sobre o nível de endividamento da Dell. Há expectativa de que a Dell terá de buscar até IS$ 40 bilhões no mercado e a nova companhia que surgirá do acordo contará com cerca de US$ 50 bilhões no seu balanço relativo a dívida bruta. Esse valor é muito alto até para as valorizadas gigantes de tecnologia. “Estamos em um território sem precedentes”, disse Daniel Ives, analista da FBR Capital Markets em entrevista ao WSJ.

De qualquer forma, tanto Dell quanto EMC são empresas com alta capacidade de gerar receita, o que deve tornar a nova companhia atraente para os investidores. No atual balanço da EMC, por exemplo, foi registrado cerca de US$ 13 bilhões em cash e ativos de curto prazo. “São empresas cash cow (geram receitas rapidamente) e as atenções deverão ficar mesmo sobre a integração e a forma como elas trabalharão juntas”, disse o consultor.

Withman, mais uma vez, não acredita que nesses pontos também o trabalho será fácil principalmente nos canais de venda, prevendo que pela estrutura de ambas será criado um caos que poderá, em primeira análise, favorecer a própria HP. E foi com esse espírito que seu email tenta passar a mensagem de que é o momento de avançar sobre os clientes.

Robbins, por sua vez, também vê motivos pelos quais a Cisco poderá se beneficiar do acordo. Em entrevista á rede CRN, ele considera que há muito esforço envolvido em fusões desse porte — ou mesmo o movimento contrário de separação de ativos que vem sendo feito pela HP — e muito tempo gasto nessas discussões e integração. Tempo e oportunidades que poderão ser aproveitados pelos concorrentes. O executivo também disse que acredita que suas parcerias permaneçam, sem especificar sobre o acordo da companhia com a VMWare – parte do negócio da Dell — para as soluções VCE que combinam hardware Cisco, armazenamento EMC e sistemas de virtualização da VMWare

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