Cidades inteligentes: Tacira quer conexão Brasil-Londres

Cidades inteligentes: Tacira quer conexão Brasil-Londres

Em atividade desde o início do segundo semestre, a Tacira não quer perder tempo. Embalado na sua ativa participação na comunidade global TM Forum para Smart Cities, o CTO da empresa, Washington Tavares, estabeleceu uma base em Londres de onde a empresa quer estabelecer parcerias estratégicas e relacionamentos com novos fornecedores para o desenvolvimento de projetos inovadores que poderão ser aplicados tanto no Brasil quanto em outros países, inclusive Oriente Médio. Com a proposta de entregar serviços inteligentes e com uma plataforma que permite a criação de múltiplos serviços, ela também conduz três projetos-piloto no mercado brasileiro.

Com o apoio do grupo Ceres, que tem realizado investimentos em segmentos variados, a empresa trabalha com diversas frentes de pesquisa para ampliar sua oferta de soluções para smart cities. No seu radar, por exemplo, está a tecnologia de sensoriamento ambiental, que permite o monitoramento de tópicos importantes para o ambiente urbano a partir de uma rede de sensores distribuídos em pontos diversos, como sistemas de água, iluminação, ruas, edifícios ou mesmo esgotos. “Essa é uma área muito interessante, há muitos caminhos, desde sensores sensíveis a ruídos que podem transmitir dados importantes até informações de clima, por exemplo”, comentou o executivo.

Alinhado também aos trabalhos que vêm sendo desenvolvidos pelo TM Forum para Smart Cities, que quer extrair formas de utilização de dados do dia-a-dia, Tavares se prepara para ampliar seu portfolio. E informações disponíveis é o que não faltam, resta saber como torná-las serviços úteis para os cidadãos. Uma possível aliada pode ser, por exemplo, a política de dados abertos estabelecida pelo governo brasileiro que ganha adesão de órgãos públicos de todas as esferas. ainda que muita mais lentamente do que o esperado. “É uma base importante, mas em geral o que temos disponíveis são informações estatísticas de baixa, ou nenhuma interatividade, e que não estão integradas entre elas. É preciso muito trabalho para transformar esse material em serviços que vão permitir aos cidadãos não só um acompanhamento melhor como criar novas soluções de gestão urbana”, observou.

A integração e a informação consolidada entre as soluções, por sinal, é uma base importante para a Tacira. Para Tavares, isso é o que distingue a “inteligência da cidade” de uma simples entrega de serviços digitais. Nos próximos dois anos, a empresa espera desenvolver e implementar 10 projetos que poderiam lhe render uma receita aproximada de R$ 50 milhões no período e que lhes permita atingir perto de 10 milhões de pessoas. Seu foco, inicialmente, estão nas verticais saúde, segurança e educação.

A desaceleração econômica que o país vem enfrentando não assusta Tavares, pelo contrário. Na sua avaliação, momentos de crise estimulam os municípios a buscarem soluções inteligentes mais eficientes para a administração. Para ele, são os sistemas inteligentes que justamente ajudam o monitoramento e a gestão das cidades e possibilitam que os recursos públicos sejam utilizados da melhor forma. “Apesar dos entraves políticos, as cidades inteligentes vão crescer no mercado brasileiro”, ressaltou.

O processo de internacionalização, por sua vez, deverá se beneficiar do relacionamento de Tavares com especialistas de smart cities do mundo inteiro via TM Forum. Com calma, ele acha que é o momento de construir parcerias e estabelecer novos canais, um processo que na sua avaliação poderá se estender até meados de 2016. “A partir daí acredito que já será possível o desenvolvimento de projetos para outros mercados”, observou o executivo. Isso pode envolver o mercado europeu, mas ele cita especificamente o Oriente Médio, uma região que tem se caracterizado pela alta demanda para plataformas de smart cities.

No Brasil, os projetos-piloto da Tacira estão sendo conduzidos nas cidades de Águas de São Pedro e Itatiba, ambas em São Paulo, e em Lavras, Minas Gerais. Em Águas de São Pedro, que tem a proposta de ser a primeira cidade digital do país, a Tacira está responsável pelo projeto do Boulevard Gourmet, que envolve Smart Solutions para integrar via Wi-Fi diversas informações e serviços para a população e turistas.

Em Lavras o piloto é voltado para o combate à dengue. A Tacira desenvolveu um aplicativo que possibilita aos moradores enviarem fotos às autoridades de locais suspeitos de serem focos da doença. Por meio da geolocalização, os agentes de saúde identificam de onde foram transmitidas as informações e visitam a área para tomarem providências. Em Itatiba a empresa está implantando um Smart Place, com indicadores inteligentes que permitem a interatividade da população e utiliza também recursos de gamificação para estimular o engajamento.

Tavares também cuidou de reforçar a estrutura da empresa. Para a diretoria de Negócios, ele convidou Katia Galvane, que ocupava o cargo de Head de eHealth e Head de eGovernment  da Telefônica/Vivo. Ela está responsável por coordenar a expansão, novos negócios e estabelecer alianças nas áreas de smart cities, educação e saúde digital.ã

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