Cinco coisas a respeito de Internet e data centers que  você talvez desconheça

Cinco coisas a respeito de Internet e data centers que você talvez desconheça

Por Hector Silva, diretor de tecnologia em vendas estratégicas da Ciena para a América Latina

As redes e os data centers desempenham atualmente um papel fundamental para tornar possíveis os modernos serviços baseados em Internet. Portanto, ao nos aproximarmos da metade do ano, é importante destacar algumas das diferenças que estão surgindo entre os data centers e como eles são usados, bem como as principais tendências que vêm moldando a Internet:

1) Nem todos os data centers são iguais

É claro que os data centers, assim como outras importantes infraestruturas, diferem tanto quanto seus proprietários e as finalidades a que se destinam. O entendimento dessas diferenças é importante.

— Operadoras (provedoras de serviços) – Fornecem a base para a espinha dorsal da Internet e essa parte do seu modelo de negócios é semelhante à de uma empresa de serviços públicos. Como a presença de grandes provedores de conteúdo para a Internet (ICPs), como a Amazon Web Services (AWS) e o Google, ainda está crescendo na região, as operadoras estão se posicionando como a solução local, oferecendo tanto interconexão como serviços de DC em uma única localidade.

As operadoras possuem data centers tanto para as suas próprias necessidades como para oferecer serviços de conectividade a empresas e instituições financeiras;

— Carrier-Neutral, Multi-Tenant Data Centers (CN/MTDC) –

Esse segmento de data centers de múltiplos usuários que não trabalham com operadoras específicas possui um modelo de negócios semelhante ao do ramo imobiliário, em que a infraestrutura do data center é construída com o objetivo de alugá-la para diferentes empresas que podem depender de uma ampla variedade de operadoras para as suas necessidades de comunicações.

Ou seja, os CN/MTDC geralmente vendem espaço, energia e Cross Connect. Ao contrário de data centers que atendem a provedores individuais de conteúdo para a internet (ICPs), esse segmento coloca uma ênfase maior na flexibilidade de interconexão a fim de atender às mais diversas necessidades.

Este segmento apresenta um crescimento mais moderado do que o dos ICPs e passa por consolidações entre os players que
buscam economias de escala;

— Provedores de conteúdo para a Internet (Internet Content Providers – ICPs) –

Estão incluídas aqui empresas como Google, AWS, Microsoft Azure, Facebook e Apple, que focam em servir os consumidores ou o mercado corporativo, ou ambos. A principal tendência hoje entre os ICPs é a necessidade de levar o conteúdo para mais perto do usuário ou para a periferia da rede, para melhorar a sua experiência e atender aos requisitos de aplicativos sensíveis à latência.

Como o segmento de mercado com a maior previsão de crescimento, possui uma enorme ênfase nos sistemas que entregam dados em áreas metropolitanas de alta densidade. É um negócio com muita concorrência e pressão nos preços, particularmente no segmento em que competem a AWS e o Azure da Microsoft, em que prevalece a tentativa de capturar o crescente número de empresas que optam por terceirizar as suas infraestruturas de TI;

— Data centers corporativos e do governo

Esses são os data centers de propriedade do cliente, que costumava abrigar todos os dados e aplicativos de uma empresa, mas que estão terceirizando cada vez mais os dados e aplicativos menos sensíveis nos data centers públicos. Isso criou a necessidade de serviços de “conexão direta” que garantam a segurança e o desempenho das conexões nos
data centers públicos.

2) Os consumidores querem mais do serviço de Internet

As ofertas para os consumidores da próxima geração e para as empresas estão, em muitos aspectos, sendo criadas através de redes móveis e residenciais, basicamente exigindo uma
mudança na infraestrutura de banda larga devido ao que os clientes demandam que ela faça para eles. Considere o Netflix, o Uber, o Twitch e o impacto desses serviços nos consumidores e nas redes das quais dependem. Por exemplo, no Brasil, o Airbnb estima que haverá 20.000 reservas no Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos. É como se consumidores individuais administrassem 100 grandes hotéis!

Para as operadoras, esse mercado exige maior ênfase na replicação de dados em alta velocidade, uma grande capacidade de armazenamento e conexões de alto desempenho
na periferia da rede.

3) A área corporativa e o novo negócio digital estão se tornando os grandes revolucionários Em 2016, a tecnologia está permitindo a criação e a implantação de modelos de negócios completamente novos a uma velocidade nunca antes vista, e isto evidentemente tem um grande impacto nos data centers.

Esse mundo de experiências de consumo e decisões de compra cada vez mais complexas requer conexões e integrações bem coreografadas com uma variedade de outras empresas, pessoas e coisas que estão fora do alcance de qualquer empresa sozinha.

Essas tendências favorecem data centers e redes que sejam ágeis e hábeis em termos de rápida integração, adaptação, escala e desempenho ao mesmo tempo limitando o risco
em um ecossistema repleto de negócios de proprietários díspares e de interdependências críticas.

4) Vem aí a TI híbrida

A demanda por serviços em nuvem está mostrando poucos sinais de abrandamento. De acordo com o Gartner, a rede típica das empresas experimentará uma taxa de crescimento
anual composta (CAGR) de 28% na largura de banda, resultante da computação em nuvem, de dispositivos móveis e streaming de vídeo. Mas simplesmente não é realista ou rentável acreditar que os atuais data centers e modelos de computação em nuvem serão, por si só, capazes de levar-nos para o futuro.

O cenário mais provável é que comecemos a ver uma abordagem híbrida – uma trama de TI tradicional, nuvens privadas, nuvens públicas e nuvens híbridas, em que a ênfase estará na colocação dos aplicativos e ativos de dados onde possam fornecer o maior valor ao negócio. As instalações locais, externas e de terceiros, assim como as operadoras, trabalharão em conjunto para reduzir a latência, os custos, e diminuir o volume de dados e as distâncias que estes devem percorrer.

5) Os provedores de serviços gerenciados estão falando sério a respeito de SDN e NFV

Considerados em conjunto, os quatro pontos anteriores formam um quadro bastante claro de que as redes ou o componente “conectar” do nosso mundo digital necessitam
mudar na essência e com certa rapidez para atender às demandas dos consumidores. O que também está ficando claro é que a virtualização das funções de rede (NFV) e as redes definidas por software (SDN) serão fundamentais para essa transição.

Quando aplicada às redes, a virtualização permite uma redução drástica das despesas de capital e operacionais, permitindo ao mesmo tempo uma gama ilimitada de pacotes e
ofertas de serviços gerenciados. A NFV permite que as funções de rede sejam dissociadas das conexões e dos dispositivos físicos, o que por sua vez permite a redução e a consolidação dos equipamentos físicos. O conceito de SDN consiste em separar as funções de controle, o encaminhamento de tráfego e outras funções, o que não é possível com os sistemas atuais, e torná-las programáveis.

À medida que continuamos a evoluir para uma sociedade centrada em aplicativos e sob demanda, é claro que o data center, os serviços e os provedores de conteúdo para a Internet precisarão abordar de maneira pragmática a arquitetura da rede e as suas ofertas. Com as rápidas mudanças da tecnologia de hoje, essas demandas crescentes tornarão a rede mais importante que nunca.

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