O mergulho digital da Rede, do grupo Itaú

O mergulho digital da Rede, do grupo Itaú

Foram dois a três anos de “recolhimento”, um novo nome e identidade visual, duas aquisições, parcerias, desenvolvimento de soluções mais focadas no aprimoramento do cliente pela tecnologia e reforço no universo de pagamentos eletrônicos. “Fizemos um mergulho no universo digital e estamos prontos para competir no mercado com uma nova forma de atuar”, garante Fernando Chacon, presidente da Rede, ex-Redecard que foi totalmente incorporada pelo Itaú-Unibanco. Prestes a massificar a sua carteira digital, a empresa garante que terá forças para recuperar o espaço que perdeu no mercado no primeiro trimestre.

Esse “mergulho” no universo digital foi fundamental, na avaliação do executivo. Para começar, a constatação de que novas formas de negócios estão ganhando escala e trazendo mais desafios para o mundo digital de pagamentos. “A maior empresa de táxi, o Uber, não tem um taxi sequer, a maior empresa de mídia, o Facebook, não produz uma linha de conteúdo, a maior rede hoteleira, o AirBNB, não tem nenhum hotel”, exemplifica o executivo. Para ele, trata-se de um cenário disruptivo que exige novos posicionamentos. “Nos inspiramos muito no chamado Gafa (Google, Alibaba, Facebook e Amazon) e na forma como se relacionam”, disse.

Segundo Chacon, esse novo cenário terá grande impacto sobre muitas variáveis, influenciando os custos do processamento, os negócios, e a desintermediação de tudo que funciona como uma espécie de cartório nesse meio. Face a esses desafios, afirmou, a empresa investiu em uma plataforma robusta e moderna e hoje está preparada, inclusive, para liderar ambientes de marketplace . O executivo lembra que o consumo digital é crescente e inevitavelmente chegará no ponto de venda (POS).

Antes mesmo de entrar em seu período de “recolhimento”, mas já se preparando para isso, a empresa teve seu capital fechado na Bovespa pelo Itaú, em 2012,em uma operação que chegou a R$ 11 bilhões. No ano seguinte foi a vez de ser rebatizada, como Rede, e ganhar nova identidade visual.

A partir daí, adquiriu em setembro de 2014 a maxiPago, lhe dando o seu próprio gateway de pagamentos eletrônicos. Em outubro do ano passado fechou com a Odebrecht Transport, por R$ 170 milhões, a aquisição de 50% ConectCar, empresa de arranjos de pagamento próprio para pedágios, combustível e estacionamento. Um ano depois concretizou um acordo exclusivo com a Poynt, para a distribuição de terminais inteligentes que facilitam a oferta de serviços que gerem novas receitas para os lojistas.

Em fevereiro, a empresa anunciou a sua carteira digital, o clickpagRede, para o qual tem a expectativa de capturar R$ 6,4 bilhões em transações de e-commerce até 2018. Em número de usuários, a proposta é de atingir 8,5 milhões de clientes nos próximos anos. De acordo com o executivo, a carteira digital já está sendo utilizada e a perpesctiva é de que toda a base de clientes da companhia passe a contar com esse serviço em julho. A carteira vai aceitar cartões MasterCard, Visa, Hiper, Hipercard e Diners.

Os pagamentos via celular também estão na mira da Rede, segundo Chacon que promete, para breve, novidades sobre parceria com a Samsung para o Samsung Pay. Na sua avaliação, a forma de negócios estabelecidas para o Android e Samsung Pay devem favorecer parcerias e escala. “Já a Apple, com o ApplePay, quer morder um pedaço da receita do mercado de pagamentos o que deverá gerar mais dificuldades para ganho de escala”, ressaltou.

Com uma base de 1,9 milhões de POS em todo o país, a Rede atingiu no ano passado 4 bilhões de transações em cartões de débito e crédito, 4,4% a mais que no ano anterior. No primeiro trimestre deste ano, perdeu clientes tanto na comparação trimestral quanto anual. Para Chacon, isso ocorreu muito em função do ambiente mais competitivo e focado, principalmente, em preços. “Não vamos entrar em guerra de preços”, garantiu. Na fórmula para recuperar até o final do ano esse terreno perdido, a companhia está ampliando a oferta de serviços e fazendo uma nova segmentação entre os correntistas Itaú e não correntistas, com atendimento específico para cada um. Conforme o executivo, a perda de mercado foi praticamente igual nesses dois perfis.

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