Presidente do Serpro quer levar soluções de Big Data para o mercado

Presidente do Serpro quer levar soluções de Big Data para o mercado

A nova presidente do Serpro, Glória Guimarães, quer preparar a empresa para novos negócios em cima de plataformas inovadoras com as quais o órgão vem trabalhando, como Big Data e IoT (Internet das Coisas, na tradução livre). Mas não é apenas na prestação de serviços para o governo que a executiva está de olho ao planejar a expansão na oferta de produtos, ela também quer levar soluções, principalmente as que são extraídas de sistemas analíticos, para a iniciativa privada. “O Serpro é uma referência em TI para a sociedade brasileira e precisa de novos serviços que sejam valorizados no mercado”, disse a executiva.

“Nós temos muito a oferecer à iniciativa privada, como soluções de Big Data. Temos um volume enorme de informações que são públicas que podem ser processadas com ferramentas analíticas e passam a ter um valor enorme para alguns setores econômicos além do governo”, comentou Gloria. Como exemplo, cita o mercado de seguradoras. Na sua avaliação, iniciativas desse tipo podem ajudar o Serpro a se tornar mais competitivo e superar as dificuldades econômicas que tem vivido principalmente em função do atraso no pagamento de serviços prestados ao governo.

As ferramentas de Big Data começaram a ser implantadas no Serpro no ano passado e devem evoluir para novas plataformas e serviços. Para a executiva, ela pode inclusive crescer com o apoio de outras áreas que também estão sendo estudadas pelo órgão, como IoT. E ela quer colocar na pauta outros temas, como o blockchain, um banco de dados distribuído que teve como aplicação inicial a contabilidade pública de transações de bitcoins. O sistema tem um potencial alto para marketplaces e é considerado um promissor instrumento para o mercado de pagamentos. “Vamos nos aprofundar nessa tecnologia”, observou.

O Serpro se prepara para lançar em 90 dias a oferta de nuvem no conceito de PaaS (plataforma como serviço). Desenvolvida em 2014 e projetada em software livre, a nuvem implantada pelo órgão tem sido ofertada até agora na modalidade IaaS (Infraestrutura como serviço). Já estão nessa nuvem alguns serviços, como Expresso, I-Educar e o Programa de Cidades Digitais.

Glória assumiu o comando do Serpro em um momento político sensível — o afastamento da presidente eleita Dilma Rousseff e a chegada ao poder do presidente interino Michel Temer —  que, internamente, repercutiu na exoneração de Marcos Mazoni, presidente do órgão nos últimos nove anos. A executiva foi, aos poucos, tentando tranquilizar os funcionários sobre o futuro da empresa, manifestando desde cedo a sua intenção de dar continuidade “às boas práticas” e sua visão de como buscar novos mercados para fortalecer a companhia. Também procurou, na primeira quinzena, abrir um diálogo com a Fenadados (Federação Nacional dos Empregados das Empresas de Processamento de Dados, Serviços de Informática e Similares).

Para preparar a empresa para um ambiente propício a novos negócios, Glória aperfeiçoou a estrutura de clientes e também fez mudanças organizacionais para ganhar sinergias e diminuir custos. A próxima fase, de acordo com a executiva, é melhorar o fluxo de trabalho e desenvolvimento. “Nas primeiras mudanças organizacionais que fizemos já obtemos uma economia anual de R$ 1,3 milhão”, observou.

Glória teve uma passagem pelo Serpro anterior, entrando em maio de 2015 e deixando a empresa em março deste ano. Nessa ocasião, era cotada para o cargo de presidente no lugar de Mazoni que, por sua vez, estaria no alvo do então ministro da Fazenda, Joaquim Levi. Por esse período, ela ficou responsável pelo projeto de implantação do crédito consignado no órgão por determinação do TCU (Tribunal de Contas da União) que retirou essa atividade do Ministério do Planejamento.

Também no ano passado, o Ministério da Fazenda pediu um estudo sobre a viabilidade econômica de uma fusão do Serpro com a Dataprev, criando uma espécie de megaempresa do setor de TI que, posteriormente, poderia envolver ainda a Telebras. O assunto esfriou mas voltou à tona logo após Tarcísio Godoy, tido como o principal defensor da ideia quando secretário-executivo do então ministro da Fazenda Joaquim Levi, voltar para o cargo na atual gestão. Mas Godoy não chegou a esquentar a cadeira e em três semanas deixou novamente o governo.

A executiva garante que, até agora, não houve qualquer sinalização do Executivo de que pretende seguir em frente com essa proposta de fusão. Mas afirmou que as sinergias entre as empresas deverá se aprofundar nos próximos meses. “Não tenho nenhum posicionamento até agora que indique um movimento contrário”, reforçou.

Segundo a presidente do Serpro, sua preocupação no momento é equacionar o prejuízo acumulado de R$ 245 milhões — principalmente em função no atraso de pagamentos por serviços prestados ao governo — para conseguir a retomada de investimentos. Esse equacionamento já vinha sendo buscada pela gestão anterior que enfrentou um longo período de renegociações das dívidas com os fornecedores. Essa articulação junto aos fornecedores também vem sendo feita por Glória que, além disso, tem buscado os órgãos do governo para alcançar uma saída para as dívidas. “Tenho visitado vários órgãos e secretarias em busca de recursos”, disse. Mas é nesse cenário que, na sua avaliação, os novos negócios passam a ganhar uma importância estratégica no seu planejamento para gerar novas receitas.

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