Projeto Vahana, o veículo autônomo voador da Airbus

Projeto Vahana, o veículo autônomo voador da Airbus

Jorge Muller, executivo da área de desenvolvimento do grupo Airbus, confessa que não é muito fã de Star Wars. Mas ele garante que não é mais uma loucura imaginar que um dia nossas grandes cidades terão veículos voadores fazendo o seu caminho ao longo das estradas no céu. E no que depender da empresa, isso pode estar mais perto do que se pensa. A companhia anunciou esta semana o projeto Vahana que prevê o desenvolvimento de um carro autônomo voador para desafogar o trânsito nas grandes metrópoles. Os testes terão início no próximo ano, em Cingapura, e há perspectivas de que o produto esteja disponível em até 10 anos.

Os desafios para isso são, sem dúvida, muito grandes. Mas Rodin Lyasoff, executivo da A3, empresa de projetos do grupo, acredita que é possível ter sucesso. Boa parte das tecnologias necessárias, como baterias, motores e aviônica, estão em desenvolvimento. Mas isso para rotas previamente traçadas e serão necessários sistemas sense-and-avoid, que detectam obstáculos e o evitam, mais confiáveis, na sua avaliação. São plataformas que começam a ser introduzidas nos carros mas ainda precisam amadurecer para o transporte aéreo.

Para o executivo, os prestadores de serviços de transporte e logística são alvo para esses veículos. O sistema poderia operar de forma similar às aplicações de partilha de automóveis, com o uso de smartphones para reservar o veículo. “Acreditamos que a demanda global para essa categoria de aeronave poderá apoiar frotas de milhões de veículos em todo mundo”, ressaltou.

A Airbus já está envolvida em projetos que poderão apoiar o Vahana. Em Cingapura, onde pretendem fazer os primeiros testes dos veículos autônomos voadores, a Airbus Helicopters já possui um acordo com as autoridades locais para testar drones para delivery, chamado de projeto Skyways. Esse acordo vai beneficiar os testes do projeto Vahana e é provável que a cidade seja a primeira a contar com a operação comercial do veículo aéreo não tripulado. airbus

Desenvolvedores na França e na Alemanha, por sua vez, estão trabalhando em um conceito de plataforma operada eletricamente para levar vários passageiros. Com o nome provisório de CityAirbus, ele teria várias hélices e na sua concepção básica também se assemelharia a um pequeno robô. Embora a previsão é de que inicialmente será operado por um piloto — semelhante a um helicóptero — para que possa entrar rapidamente no mercado sem depender de questões regulatórias, poderia ser alterado posteriormente para condução autônoma quando receber o sinal verde regulatório. Esse projeto beneficia diretamente a Skyways e o Vahana.

Para a Airbus, ao apresentar esse conceito radical para a evolução dos transportes, irá beneficiar o tráfego nas grandes cidades. No comunicado que apresenta o projeto Vahana, a empresa cita São Paulo e seu recorde de 344 quilômetros de congestionamento obtido em 2014 para ilustrar os problemas enfrentados nas grandes metrópoles. “O custo disso para a economia brasileira é de US$ 31 bilhões ao ano”, afirma a companhia. Também dá como exemplo um estudo que mostra que os londrinos perdem o equivalente a 35 dias de trabalho por ano no tráfego. “A situação ainda é pior em cidades como Mumbai, Manila ou Tóquio”, diz o comunicado.

 

 

 

 

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