O perigoso gap entre investimentos e demanda por tráfego na AL

O perigoso gap entre investimentos e demanda por tráfego na AL

Não há almoço grátis. Uma das frases mais conhecidas no mundo dos negócios foi repetida por Raul Katz, presidente da Telecom Advisory Service e pesquisador da Universidade de Columbia, para retratar o perigo que ronda o mercado latino americano de telecomunicações e a corrida para as redes de banda larga de alta velocidade. Seu alerta diz respeito a um gap entre o ritmo dos investimentos das operadoras e a crescente demanda do tráfego. Os resultados desse descompasso já podem ser notados na qualidade das ofertas por meio dos baixos índices de entrega de velocidades contratadas na região, principalmente no Brasil.

Não faltam números para comprovar tanto o crescimento da demanda quanto os problemas enfrentados pelos prestadores de serviços. No ano passado, o tráfego das redes de comunicação na América Latina alcançou 4.525 petabytes por mês, dos quais 3.951 PB referentes ao que foi trafegado na Internet. Desse total, 1.331 PB dizem respeito a dados e 2.420 PB a vídeo. Já o tráfego IP foi de 574 PB, com voz e dados alcançando 74 PB e vídeo chegando a 504 PB.

Segundo o consultor, a pressão para o aumento do tráfego nas redes fixas e móveis é estimulado por maior uso de TV na Internet, de redes sociais, do comércio eletrônico e da publicidade digital. Ao mesmo tempo, a distribuição de vídeo online é uma aplicação de uso intensivo nos países da região. Há dois anos, o Brasil já era líder nessa utilização, com 64.812 usuários únicos, seguido do México, com 21.416 usuários e Argentina, com 15.764 usuários.

Simultaneamente, o usuário latino americano também tem uso mais intenso das redes sociais. No ano passado, quando a Europa Ocidental, por exemplo, contava com 195.230.709 usuários de Internet e 98.992.670 que frequentavam as redes sociais, os números no mercado brasileiro iam de 338.482.028 usuários para 297.638.420 pessoas que frequentavam as redes sociais, uma proporção de 87,93%.

O usuário latino-americano, diz o consultor, está também conectado mais tempo na Internet do que de outros continentes emergentes, com uma média de 19,6 horas mensais. Como resultado do alto consumo digital, também houve uma expansão de 27% dos gastos publicitários digitais.

Esse quadro de expansão do consumo digital tem sua contrapartida na oferta de velocidades do serviço de banda larga, principalmente quando comparadas aos países da OCDE (Organização Para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O Brasil, por exemplo, tem 44% de conexões com velocidade igual ou superior a 4 Mbps, apenas 3% na faixa de 10 Mbps, e 1% igual ou acima de 15 Mbps.

Na Argentina, 52% das conexões são igual ou superior a 4 Mbps, 8% acima de 10 Mbps e 1 % ultrapassando 15 Mbps. No México a situação envolve percentuais de 78%, 14% e 4% enquanto o Chile tem a melhor posição com 84% concentrado na primeira faixa, 15% na segunda e 4% na terceira.  Nos países da OCDE, esses percentuais são de 88%, 49% e 30%, respectivamente.

“O aumento do tráfego está tendo impacto na qualidade do serviço”, reforçou o consultor. Katz considerou a faixa de venda de conexões superior a 10 Mbps e revelou que no Brasil apenas 2% de 57,80% das vendas nesse patamar obtém, realmente, o que foi prometido.

Para fazer frente a esses desafios, Katz observou que as operadoras de telecomunicações estão investindo em redes de distribuição de alta capacidade. No Brasil, dos 24,9 milhões de assinantes de banda larga fixa 1,2 milhão utilizam redes de fibra óptica de um total de 7 milhões de domicílios cobertos com essa tecnologia, o que lhe dá no total uma porcentagem de 5,02%. O Uruguai é o melhor posicionado percentualmente, com 61,05% dos assinantes de banda larga utilizando fibra e em segundo lugar está o México, com 8,85%.

“As operadoras querem acelerar a migração para redes de alta velocidade e aqueles que se adiantarem terão uma vantagem estratégica muito grande pois conquistarão mais cotas de mercado ao mesmo tempo que dominarão mais rapidamente as novas tecnologias”, comentou.

Katz esteve presente ao Furukawa Summit, realizado esta semana em Comandatuba, na Bahia.  Durante o encontro, Robert Scoble, empreendedor de novas tecnologias, apresentou vários estudos e pilotos de apps que utilizam a realidade aumentada que se transformarão em produtos de grande apelo comercial em pouco tempo.

Na avaliação de Katz, esse tipo de aplicação vai demandar ainda mais as redes de tráfego de dados e exigir mais investimentos. Ele lembrou que cada pixel de um aplicativo que utiliza a realidade aumentada consome 24 bit e cada quadro cercade 31.104.000 bits. O consumo total de banda total pode chegar a 5,6 Gbps em uma aplicação.

 

 

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