Estrutura da Dell Technologies no Brasil seguirá a dos grandes mercados

Estrutura da Dell Technologies no Brasil seguirá a dos grandes mercados

Ontem um banco, cujo nome não foi identificado, recebeu a primeira fatura da Dell Technologies no Brasil. Com isso, foi dada a largada para a nova empresa resultante da aquisição da EMC pela Dell em um negócio bilionário anunciado no ano passado. No mercado brasileiro, ainda não há definição sobre lideranças locais mas os presidentes das duas empresas no país vem trabalhando desde outubro do ano passado em total sintonia para seguir os trâmites da consolidação da maior empresa de tecnologia de capital privado, cujo processo foi finalizado ontem e anunciado oficialmente por Michael Dell.

O Brasil terá uma estrutura que vai contemplar três unidades principais, a Dell, para soluções computacionais, a Dell EMC para atender sistemas de infraestrutura e a Dell EMC Services. Por uma questão de escala, nem todos os 180 países onde a Dell Technologies atua terão essas três áreas de negócios trabalhando de forma distinta e poderão tê-las sobrepostas. Na América Latina, apenas o México contará com estratégia semelhante.

A Dell Technologies nasce com um faturamento mundial de US$ 74 bilhões e a liderança de mercado em várias áreas onde Dell e EMC estão presentes. A complementariedade de portfolios é ressaltada pelos executivos Luis Gonçalves, presidente da Dell Brasil, e Carlos Cunha, presidente da EMC Brasil. “Tivemos pouco overlapping”, reforçou Cunha. Isso não significa, entretanto, que elas não existam e possam representar diminuição da estrutura. “Sinergia de custos não paga a conta, o que é importante é a sinergia de receitas”, garante Gonçalves.

O conceito de Federação adotado pela EMC, no qual as quatro empresas do grupo — EMC, Pivotal, VMware e RSA — tinham atuação independente marcantes, não desaparece totalmente na estrutura da Dell Technologies. Mas ganha nova versão. “As empresas continuarão trabalhando de forma independente, mas agora está mais valorizada  a ideia de fazerem juntas o que pode ser feito junto”, ressaltou Cunha. Além da empresas que chegam à Dell Technologies com a EMC, há ainda a SecureWorks, que foi adquirida pela Dell em 2011 e a Boomi, comprada um ano antes.

Isso significa que aumentam as investidas em vendas cruzadas não apenas nas três áreas que vão trabalhar no mercado brasileiro de forma mais distinta como também o bloco de empresas paralelo formado pela Boomi, SecureWorks, Pivotal e VmWare. A RSA estará mais ligada à área de soluções de infraestrutura, a Dell/EMC.

“Teremos a liberdade de uma startup com a pujança de uma grande empresa”, garantiu Gonçalves. Ele se refere à liberdade de ação com a qual a Dell, por ser de capital totalmente fechado, pode desenvolver sua estratégia. Para Cunha, haverá três pilares importantes, a agilidade, justamente relacionada à essa estrutura mais livre, e escalabilidade, o que pode ser garantido no formato das soluções existentes no atual portfolio.

O terceiro pilar está na inovação. A Dell investiu US$ 12,7 bilhões nos últimos três anos em P&D e Michael Dell afirmou que irá manter a média anual de US$ 4,5 bilhão nessa área que, somados os esforços, detém mais de 20 mil patentes.

No Brasil, a área de P&D é também um exemplo de complementariedade, segundo Cunha. A EMC investiu pesado no Centro de P&D no Rio de Janeiro que, inicialmente, atenderia ao mercado de gás e petróleo mas se direcionou principalmente para soluções de Big Data, inclusive para cidades inteligentes. “Mas há algum tempo eu vinha pensando que deveríamos olhar melhor para Devops e para o desenvolvimento de aplicações”, afirmou. Em seu centro de pesquisa no Rio Grande do Sul o desenvolvimento de aplicações é justamente o ponto forte da Dell. “Temos mais de 900 pesquisadores trabalhando somente nisso”, completou Gonçalves.

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