Fibra e sensores nas comportas de Santos

Fibra e sensores nas comportas de Santos

A Prefeitura de Santos se prepara para dar mais alguns passos importantes na sua proposta de cidade digital e conectada. Um deles envolve a inauguração de um novo centro de controle operacional multidisciplinar. O outro já é mais desafiador, a administração se prepara para levar fibra óptica e sensores para 13 comportas a fim de tornar mais preciso o processo de controle do efeito das marés na orla marítima.

A trajetória digital de Santos tem início em 2004 quando se buscava uma solução para resolver um dos principais problemas na área de saúde, a comunicação entre as 50 unidades de atendimento do município. Ao mesmo tempo, a cidade implantou uma plataforma de geoprocessamento para planejamento urbano que captava diversas informações do município, de dados tributários à lei de uso e ocupação do solo e até acompanhamento de focos de dengue.

“Tínhamos uma ferramenta pesada, que exigia muita banda, e uma necessidade de comunicação de mais velocidade em áreas como educação e saúde”, comentou Roberto Cruz, analista de sistemas do DETIC (Departamento de Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicações), órgão ligado à Secretaria de Gestão. Diante desse cenário, a Prefeitura optou pela construção de uma infovia municipal de fibra óptica que interligasse órgãos do governo.

Em 2004, apenas três prédios estavam interligados via fibra. De 2005 a 2008 o cenário já era outro, 90 quilômetros de fibra óptica, um data center inaugurado em 2007, 30 prédios interligados e um CCO (Centro de Controle Operacional) ativado. Atualmente, são 300 quilômetros de fibras instaladas, dos quais 60 quilômetros relativos ao backbone, 14 POPs (pontos de presença) e 140 prédios interligados. “Nós temos uma malha que conta com a redundância da redundância”, observou o executivo.

Outro ponto importante na proposta da cidade veio com a criação da Secretaria da Segurança, em 2005, e uma doação de 20 câmeras de videomonitoramento que foram instaladas na orla. “Resolvemos que era importante integrarmos projetos de câmeras e prédios na mesma fibra ótica, maximizando o resultado do investimentos”, disse Cruz. O crescimento do número de câmeras no município também foi significativo e em breve serão 700 dispositivos que, juntos, responderão por um armazenamento de 280 terabytes.

Outro projeto importante para a cidade foi a instalação de 49 controladoras semafóricas em parceria com o Ministério das Cidades. Segundo Gustavo Bocuto, engenheiro de telecomunicações e responsável pelo projeto, esse foi a primeira experiência em maior escala do sensoreamento como base de uma monitoração em tempo real, no caso, com câmeras responsáveis pela contagem dos veículos.

Por conta dessas controladoras, a CET é um dos órgãos que estão presentes no atual CCO da Prefeitura. Também estão lá a Polícia Militar e Civil. Mas isso vai mudar e muitas outras secretarias, além autarquias estaduais e concessionárias e operadoras privadas, como Dersa e Ecovias, poderão ter representantes no novo centro de monitoramento.

De acordo com Cruz, o projeto  deverá ser finalizado no início de 2017 e prevê um espaço de 800 metros quadrados com três videowalls, sendo um deles com 16 cubos de 70 polegadas cada um. Ainda serão instalados novos servidores, mais capacidade de storage e várias estações gráficas. E salas de gerenciamento de crise e de segurança.

Comportassantos

Santos é conhecida por enfrentar sérios problemas de marés e ressacas que afetam bastante a orla marítima. Para isso, conta com comportas semi-automatizadas que são abertas ou fechadas de acordo com determinadas cirscunstâncias. Mas, conforme Cruz, há muitos desafios nesse processo.

O acionamento dos motores dessas comportas é controlado via wireless, primeiro por meio de Wi-Fi e posteriormente 3G. Mas com vários prédios urbanos na orla e outros problemas de instabilidade, muitas vezes por problemas causados pela maresia aos equipamentos, nem sempre é possível detectar se as comportadas abriram totalmente ou qualquer outro obstáculo, como areia que acumula no canal. “Um acidente é muito complicado principalmente se for na hora que mais precisamos do perfeito funcionamento dessas comportas”, disse Cruz.

Como solução, a Prefeitura vai investir em levar a fibra até as comportas. O sistema também será monitorado por câmeras, aproveitando os dispositivos já instalados na orla para atender as controladoras de semáforo, na tecnologia EPON/FTTx. E serão realizados testes e provas de conceito para a implantação de sensores passivos dentro da água, que fazem parte de uma tecnologia nova que está sendo utilizada até agora somente no Japão, pela Furukawa.

Por meio da Net Telecom, a Furukawa já é uma tradicional parceira da Prefeitura de Santos. Ela responde pelo fornecimento de fibra óptica na cidade, pela interligação da malha de câmeras, por sistemas de ligação das controladoras semafóricas e dos acessos entre os rádios Wi-Fi com os quais a administração levou Internet gratuita para a população em vários pontos.

A equipe técnica da Prefeitura de Santos falou sobre os projetos da cidade durante o Furukawa Summit, realizado esta semana em Comandatuba, na Bahia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Preencha: *
Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.