Parcerias devem renovar mercado de multiclouds

Parcerias devem renovar mercado de multiclouds

O mercado de cloud no Brasil vai bem e anima provedores de serviços e de infraestrutura. Não é para menos, estamos falando de uma área que somente no mercado de PMEs poderá movimentar este ano cerca de US$ 6,6 bilhões de acordo com o levantamento 2016 Brazil Small & Medium Business: ICT & Cloud Services Tracker Overview, realizado pela AMI Partners a pedido da Intel.

Algumas tendências, como IaaS (Infraestrutura como serviço), SaaS (Software como serviço) ajudam esse segmento a ganhar escala. E outras, como a multicloud, estão sendo observadas com grande interesse e já motivam negociações de parcerias para atender à demanda de TI dos clientes. O próximo passo para a oferta de serviços de nuvem pública poderá contemplar soluções multicloud.

Ou seja, os próprios provedores de serviços de cloud buscando levar ao cliente outras ofertas além das suas em um ambiente mais controlado e produtivo. Essa também é uma forma de conter o avanço dos provedores mundiais de cloud públicas, como Google, AWS ou Microsoft, que possa levar esse mercado para uma guerra de preços, e não pela qualidade dos serviços de valor agregado.

A primeira onda de migração para cloud veio com a expectativa de redução de custo, comenta Marco Sena, diretor de cloud para a América Latina da Cisco. Mas, em seguida, a percepção de que a nuvem é uma ótima aliada para as empresas alcançarem o time-to-market para seus projetos começou a dar uma nova abordagem para esse mercado. E, enfim, vieram as aplicações. “Hoje a mudança é muito rápida e as aplicações se transformaram no óleo que movimentava as antigas refinarias”, observa o executivo.

Com três anos de oferta de cloud para o mercado, a Embratel colocou a nuvem no centro de sua estratégia de TI. “Esse é um mercado que cresce aceleradamente. Está presente nas grandes empresas, mas encontra grande receptividade também nas start ups e PMEs”, avalia Mário Rachid, diretor executivo de Soluções Digitais da empresa. A operadora deu início à sua presença nessa área com cloud pública, mas passou a oferecer rapidamente as soluções privadas e híbridas.

A operadora atende a vários mercados, inclusive o varejo que tem no e-commmerce, principalmente, uma grande avidez por soluções de cloud. “O e-commerce é um grande exemplo de um setor que leva empresas nativas para a nuvem, proporcionando uma solução rápida de mercado, mas cada vez ganha mais adeptos em companhias mais tradicionais”, reforça Rachid.

A Embratel tem um portfólio grande para esse setor. E tem encontrado muita receptividade para sua solução Cloud Server, um servidor virtual dinâmico que garante flexibilidade para aumentar ou diminuir a capacidade, segundo a demanda computacional dos clientes. Entre suas vantagens está a cobrança, feita conforme o volume de uso do serviço, evitando que as empresas tenham custos imobilizados com a aquisição de equipamentos ou que paguem por recursos não utilizados.

Já a oferta se SaaS, por sinal, é uma das mais procuradas pela companhia tanto para nuvem privada quanto pública. Pelo seu formato, a aquisição de aplicativos é feita pelo consumo, não por produto. “E as soluções são direcionadas para um ambiente de cloud”, comenta Rachid. Estão nesse espectro diversas soluções, como de gestão empresarial, automação de equipes de vendas e suítes de escritório. Estudo do Gartner estima que os negócios globais de SaaS em cloud pública deverão movimentar cerca de US$ 37,7 bilhões em 2019.

Na avaliação de Sena, da Cisco, a nuvem pública poderá ser a porta de entrada nesse mercado para um grande número de empresas. Mas há ressalvas. “As start ups podem nascer em uma nuvem pública. Mas há grandes empresas que têm aplicações legadas que suportam seus negócios que não foram escritas para a nuvem”, ressalta. Por isso, considera que também há um bom mercado para uma solução híbrida, com aplicações na nuvem pública e outras rodando “em casa”. “É aproveitar o melhor do que cada mundo pode oferecer”, diz.

Também entra nesse cenário o conceito de Shadow IT, ou seja os investimentos feitos em TI por departamentos da empresa de forma quase autônoma. A Shadow IT fica bem clara em uma pesquisa realizada pela Cisco com 300 clientes na região Américas e que mostrou que havia vinte vezes mais aplicações de nuvem contratadas do que tinha conhecimento o CIO. “Nós investimos em solução que permite justamente termos uma fotografia do departamento de TI da empresa para que se possa buscar soluções integradas”, afirma.

Multicloud no radar

O cenário de adoção em maior escala de serviços de cloud têm grandes chances de ter entre seus componentes a multicloud.

A própria Embratel poderá anunciar, em breve, acordos com provedores globais de cloud para ampliar seu portfolio com soluções multicloud. “Estamos falando de um mercado com oferta 100% de oferta de nuvem pública, sem diferenciais competitivos”, afirma Rachid. Mas trata-se de uma área com soluções de menos latência, já que não estão reforçadas por data centers locais, e com menos confiabilidade de rede. “Para participar desse segmento, o melhor é estabelecer parcerias. E, ao mesmo tempo, manter o portfólio de soluções com maior valor agregado para novos serviços”, observa.

O mundo multicloud já é uma tendência, na avaliação de Sena. Mas traz no bojo o aumento da complexidade, exigindo um acompanhamento de consultorias e de novas soluções tecnológicas. “Nós temos o Cisco Cloud Center que se volta, justamente, para saber quais as nuvens estão rodando e em quais provedores”, afirma. A Embratel também tem um sistema de acompanhamento e de consultoria para seus clientes.

O UOLDiveo está também entre os provedores de nuvem que se voltam para parcerias multicloud. A empresa promoveu, recentemente, um encontro entre profissionais de TI para discutir esse conceito. E reuniu grandes players mundiais que, até pouco tempo, disputavam clientes para a oferta de cloud pública, como Amazon Web Services (AWS), Google Cloud Platform Latam e Microsoft Brasil, e parceiros como Cisco, Dynatrace, Openstack Cloud Software, UOL Host, Intel, RedHat e VMWare. “O conceito multicloud implica oferecer a melhor solução em nuvem e deixar para o cliente a missão de focar única e exclusivamente em seu negócio, sem se preocupar com a estrutura de TI”, afirma Gil Torquato, CEO da empresa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Preencha: *
Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.