Remodelado, outsourcing de TI volta a crescer

Remodelado, outsourcing de TI volta a crescer

A terceirização na área de TI, via outsourcing, já foi encarada como um recurso que tinha entre seus principais
benefícios a redução de custos operacionais nas empresas. Isso gerou uma demanda grande, favoreceu o
surgimento de múltiplos fornecedores e,com o tempo, acumulou muita insatisfação com a qualidade dos
serviços prestados. Agora, ressurge dentro de outro conceito, um pouco maisligado a áreas mais estratégicas e
inovadoras. Para executivos de TI e telecom, esse segmento reflete toda atransformação pela qual passa o mercado de TI frente a novas necessidades e modelos de negócios.

“Nos últimos anos, o outsourcing de TI passou por uma séria crise existencial”, comenta Luis Mangi, vice-presidente de pesquisas da área de Application Strategy & Governance do Gartner. Mas,na sua avaliação, pressionadas para aumentar a capacidade de entrega de novos serviços e aplicações, as empresas voltaram a considerar a terceirização como uma parte fundamental de seus negócios. “E essa é uma porta de entrada interessante aos provedores para que possam ser atingidas outras camadas de serviços
dentro das companhias”, afirma Mário Rachid, diretor de Soluções Digitais da Embratel, empresa que manteve
outsourcing de TI no seu portfólio e tem grandes contratos, principalmente outsourcing de infraestrutura, mas tem novas ofertas para ampliar sua participação nos orçamentos de TI de seus clientes.

Na avaliação de Mangi, a questão da qualidade em outsourcing de TI pelos inúmeros fornecedores acabou comprometendo o serviço. “Tivemos uma insatisfação generalizada com a prestação do serviço e muitos que optaram pela terceirização acabaram retomando as operações, levando-as para dentro das empresas novamente”, relata. Muitos fornecedores, principalmente os de menor porte, sucumbiram diante dessa situação.”Alguns grandes de outsourcing mundial desembarcaram no Brasil com uma estrutura pequena, acreditando que isso seria suficiente para atender ao mercado. Não deu certo, tiveram de reavaliar ou a estrutura ou a permanência aqui”, comenta. Isso afetou também os modelos de “fábricas de software”.

O vice-presidente do Gartner acredita que, agora, a camada do outsourcing mais ligada a processos está sendo automatizada, inclusive com a utilização de machine learning. E ganham destaque outras que favorecem o desenvolvimento de aplicações e de inovação. “As empresas começam a optar pelo modelo de open innovation no qual buscam a cooperação do ecossistema de inovação”, ressalta. Para ele, essa também é uma parte que se torna fundamental na terceirização.

Infraestrutura

Para Rachid, a terceirização de infraestrutura continua com grande demanda, incluindo suporte e
manutenção da área tecnológica. Mas ele concorda que há uma nova perspectiva para a terceirização de TI, principalmente diante da necessidade dos clientes de mais agilidade nas respostas para as áreas de
negócios e de elas se tornarem mais competitivas. Ganha espaço, entre outras ferramentas, o desenvolvimento de
aplicações.

Para ele, um segmento que tem buscado muitas soluções nesse sentido é o varejo. Outro segmento, tradicionalmente mais conservador frente às inovações, que vem manifestandointeresse pela terceirização é a indústria.É bom lembrar que frente ao projeto Indústria 4.0, que prevê um novo patamar
tecnológico para a área industrial, muitas companhias vêm sendo cada vez mais pressionadas por resultados.

Segundo o executivo, também a área de telecom está ampliando a demanda pelo outsourcing, em busca de maior
eficiência, controle de custos e diminuição de riscos. Para a Embratel,tradicional fornecedora de telecom e há
alguns anos se posicionando como prestadora de serviços de TI, essa é a chance de ganhar mercado com uma
oferta ponta a ponta. A empresa já possui contratos de full outsourcing.

Para Rachid, a duração de um contrato de outsourcing também é um fator importante. Os contratos mais longos de
terceirização conseguem proporcionar um ganho de produtividade, o que inclui automatização de processos e
desenvolvimento de novos serviços. Essa prática é aplicada, inclusive, no próprio grupo América Móvil, no qual a Embratel responde pelos serviços de TI e telecom da NET e Claro.

A preocupação com segurança de dados continua sendo um ponto forte para esse mercado. Segundo uma pesquisa recente divulgada pelo Gartner, os gastos mundiais com segurança irão atingir US$ 81,6 bilhões este ano. A maior fatia desses recursos estará, justamente, em consultoria e outsourcing de TI.

One comment

  • Prezados,
    De fato existe uma percepção generalizada, de que este serviço virou “commodity” e teria um reposicionamento no mercado em relação a fornecedores. Realmente também constatamos que grandes multinacionais voltaram seu foco para “professional service” procurando avançar nesse mercado, e comprovando a tese do artigo de que de fato, este segmento ainda terá um bom tempo de vida útil. O perigo é a autofagia, dos fornecedores, o que viria a deturpar o mercado.

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