Sem aproximação de empresas e área acadêmica é impossível inovar, diz Unesp

Sem aproximação de empresas e área acadêmica é impossível inovar, diz Unesp

Sem uma aproximação das empresas com o mundo acadêmico é impossível pensar em inovação. A declaração do diretor científico da Unesp, Sérgio Novaes, durante a assinatura de convênio com a Huawei realizado ontem, durante o Futurecom, reflete bem o consenso que começa a ganhar corpo nos players que apostam em uma sociedada cada vez mais conectada. Por meio do acordo a universidade conseguirá avançar no desenvolvimento de redes definidas por software (SDN ) para ambientes de alto volume de dados científicos. Se essa é a primeira etapa para a Unesp nesse programa, a USP entra em sua segunda fase como parceira, agora voltada mais para a capacitação de pesquisadores e profissionais de TIC. “Se queremos influenciar a sociedade como um todo, precisamos de talentos para isso”, afirmou Moacyr Martucci, da Escola Politécnica.
O Núcleo de Computação Científica (NCC) da Unesp é dedicado à instrumentação científica, uma área ainda pouco prestigiada no Brasil, como ressaltou Novaes. “Mas 21 prêmios Nobel de Física foram concedidos para instrumentação”, completou. Com cerca de 400 pesquisadores, o centro tem se dedicado a explorar as capacidades de físicas de altas energias, com instrumentação complexa e sofisticada. “Nós temos um excelente ambiente para aproximar academia e indústria”, observou o diretor científico.
O projeto do NCC e o São Paulo Research and Analysis Center da Unesp que contará com a cooperação técnico científica da Huawei tem como objetivo principal o desenvolvimento de novos serviços, métodos e ferramentas de código aberto para integrar as tecnologias de cloud com SDN e, a partir daí, criar novas soluções em orquestração de recursos computacionais. Com a utilização de computação de alto desempenho (HPC, High Perfomance Computing) da parceira, a universidade poderá colaborar com pesquisas científicas do CERN, com a qual já está conectada, Organização Europeia para Pesquisa Nuclear e o Caltech, Instituto de Tecnologia da Califórnia.

A USP se tornou parceria da Huawei no ano passado com um projeto baseado no conceito de segurança individual e público, incluindo identificação de pessoas e veículos em movimento. Agora, a segunda fase ganha um alcance bem maior com a criação da Centro de Inovação e Capacitação de Recursos Humanos em Tecnologias de Internet do Futuro, incluindo Internet das Coisas, SDN e 5G. Composto por dois espaços principais, o Espaço das Ideias, que visa estimular a criação de novas soluções de TIC no estado da arte, incluindo o surgimento de novas startups, e o Espaço de Experimentação, que adota o conceito de living lab para uso de testes e experimentação de novas tecnologias.
Nos últimos anos, a Huawei tem buscado essa aproximação com universidades brasileiras, a exemplo do que já faz em outros países. Desde 2013 é parceira do Inatel e este ano inaugurou o Huawei PUCRS Smart City Innovation Center, com a PUC RS, para o desenvolvimento de sistemas relacionados à Internet das Coisas. Com a Universidade Federal de Campina Grande, na Paraíba, fechou uma cooperação técnica para treinamento e desenvolvimento em cloud computing.

Segundo o CEO da empresa no Brasil, Wei Yao, essa é a forma como a empresa enxerga a necessidade de compartilhar seu conhecimento e colaborar para que o país se fortaleça na área de TIC. “A educação está entre nossas prioridades”, afirmou o executivo. A empresa aplica anualmente 10% de sua receita mundial em P&D.

O Brasil também ganhou este ano a segunda edição do programa da empresa chinesa Seeds for the Future, também voltado para a capacitação de universitários. Em parceria com a Capes, o Inatel e a PUC RS, A UFCG, de Campina Grande, e a USP, a companhia selecionou 15 estudantes das escolas parceiras para uma visita intensiva á sede da Huawei, em Shenzen, na China, e terem acesso a laboratórios de pesquisa e desenvolvimento de redes de banda larga fixa e móvel, 5G, computação em nuvem, IoT, cidades inteligentes e redes de última geração.

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