Cisco vai ampliar portfolio de produtos fabricados localmente

Cisco vai ampliar portfolio de produtos fabricados localmente

Cancun – A decisão por ter uma fábrica local parece ter sido acertada para a Cisco, que tem obtido resultados acima da média na competição nos mercados com os quais disputa com produtos “made in Brazil”. Tanto que decidiu ampliar o número de dispositivos que serão produzidos localmente, segundo o presidente da empresa, Laércio Alburquerque. A próxima leva de equipamentos que entrará em linha de fabricação deverá envolver sistemas de segurança.

Há sete meses no comando da subsidiária brasileira, Albuquerque costuma dizer que a fabricação local é a sua “arma secreta”. Os resultados obtidos na área de servidores é um exemplo citado por ele. Nos últimos quatro trimestres a companhia ampliou o seu market share nesse mercado no país. “Não tenho dúvida de que  esse desempenho tem o impacto da produção local”, afirmou o executivo.

Segundo Albuquerque, há os benefícios mais conhecidos da produção local, como acesso a linhas de financiamento, como BNDES e Finame, tempo de entrega mais ágil e suporte. Mas também há outros que não são muito fáceis de mensurar, mas são reconhecidos, como o “apreço” do cliente ao comprar produtos feitos no país.

Os servidores foram a quarta linha de produtos a compor o portfolio da fábrica, inaugurada em 2012 em Sorocaba. De acordo com Albuquerque, além de ampliar os modelos de cada linha de equipamentos, outros deverão ser absorvidos internamente, como os sistemas relativos à segurança de dados.

Alburquerque ressaltou que a fábrica foi um ponto importante do investimento de R$ 1 bilhão feito pela Cisco no país nos últimos anos. Também fizeram parte dessa verba outras iniciativas importantes, como o Centro de Inovação, no Rio de Janeiro, e a criação de um fundo de investimento para apoiar projetos de startups no país. Boa parte desses projetos esteve vinculado às Olimpíadas, da qual a Cisco foi um dos principais patrocinadores e responsável pelos equipamentos de rede.

Para Albuquerque, o resultado obtido durante a Rio 2016 foi “sensacional”. O Centro Olímpico, por exemplo, foi alvo de milhares de ataques diários mas a segurança da rede não foi afetada em nenhum momento. “Isso teve um valor de referência que não será superado tão cedo”, observou.

A segurança, por sinal, também está fazendo parte da estratégia da empresa em outra área, a de IoT. “O importante desse mercado não é a conexão de dispositivo A e B, mas ele ser implementado sobre um alicerce forte que permita o desenvolvimento de aplicações de forma automática e segura”, ressaltou. Na sua opinião, “rede segura” tem de fazer parte do vocabulário dos tomadores  de decisão nesse segmento.

O presidente da Cisco está otimista quanto ao desempenho do mercado brasileiro e a disposição das empresas de tirarem do papel seus projetos de transformação digital. “Elas estão mais maduras e dispostas a investirem bastante na área tecnológica para se tornarem mais competitivas”, afirmou. Isso se deve, em parte, também à pressão do consumidor conectado, cada vez mais exigente. “Não podemos esquecer que o brasileiro é early adopter e um consumidor digital ávido”, observou. Há outros fatores, como a evolução do projeto global de Indústria 4.0  que coloca em outro patamar o nível de competitividade nessa área.

Depois dos bons resultados obtidos com as Olimpíadas, a empresa está envolvida também em outra atividade relativa aos Jogos Olímpicos: o legado. A empresa importou com isenção mais de 60 toneladas de equipamentos que terão um prazo para serem doados no país, devolvidos ao país de origem ou terem seus impostos atualizados e pagos para que os sistemas permaneçam no Brasil.

A Cisco prefere doar os equipamentos mas, para isso, eles precisarão estar vinculados a projetos sociais no país. “Projetos é que não faltam e já escolhemos alguns deles para receberem a doação”, afirmou. Como os jogos aconteceram no Rio,  os projetos escolhidos também foram na cidade. No entanto, há uma etapa importante para que eles se concretizem, a aceitação dos governos estadual e municipal.

Até agora, a empresa não conseguiu obter esse sinal verde para a doação dos equpamentos. E já tem um plano B.”Caso não consigamos isso no Rio, a ideia é ampliar para projetos em todo país e negociar a aceitação com outros governos, inclusive o federal”, ressaltou o presidente da Cisco. O foco dos projetos buscado pela Cisco envolve educação e saúde.

A Cisco realiza esta semana, em Cancun, o Cisco Live

 

*A  jornalista viajou a convite da Cisco.

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