IBM aposta em saúde, educação e agronegócios para expandir Watson no Brasil

IBM aposta em saúde, educação e agronegócios para expandir Watson no Brasil

O presidente da IBM, Marcelo Porto, não esconde seu entusiasmo com as múltiplas influências que a computação cognitiva  terá em diversas áreas e projetos na sociedade e seu importante papel na transformação digital em andamento. Não é para menos já que tem nas mãos um dos modelos comerciais mais conhecidos desse mercado, o IBM Watson. No Brasil, são três setores que estão no foco da empresa para garantir a expansão dessa plataforma, a saúde, educação e agronegócios.

Apesar das sucessivas crises econômicas e políticas, Porto garante que as vantagens competitivas da subsidiária brasileira — que completa 100 anos no país no próximo ano — ainda são grandes em relação a outras unidades do grupo. Ele relaciona algumas delas, como um  forte polo exportador em Hortolândia, com grande experiência em serviços e, inclusive, um fuso horário a favor para atender diversos mercados.

A participação da computação cognitiva, por sinal, tem sido desmembrada para a entrega de serviços em várias áreas. Como exemplo, ele cita o acordo global com a Onstar para compor a primeira plataforma móvel cognitiva de entretenimento e serviços nos carros da GM. No Brasil, o Watson está presente no site da Hyundai no processo interativo que os potenciais consumidores acessam para saberem detalhes do SUV Creta, lançado no Salão do Automóvel. Ainda na indústria automobilística, a IBM está prestes a fechar acordo com outra montadora, dessa vez envolvendo sistemas cognitivos dentro do carro para acesso ao manual.

Apesar do primeiro Watson ter chegado ao país via Bradesco, as áreas que Porto enxerga mais crescimento são mesmo a saúde, educação e agronegócios. No primeiro caso, um dos cartões de visita está nos Laboratórios Fleury onde está em andamento um piloto para testar e validar o Watson Genomics na identificação de medicamentos e ensaios clínicos relevantes com base em alterações genômicas de um indivíduo e dados extraídos da literatura médica.

Outro acordo na área de saúde já efetivado diz respeito ao uso do Watson pela TheraSkin para o desenvolvimento de novos produtos dermatológicos. Segundo Porto, outro acordo está em andamento com um grande hospital que pretende utilizar a computação cognitiva na área de oncologia.

Na educação, Porto enxerga diversas oportunidades. Mas uma das principais é a de permitir que seja estabelecida no ensino uma cultura de computação cognitiva que permita a formação de novos profissionais com perfil adequado para o que ele considera os futuros desafios da sociedade. Um dos acordos nesse sentido foi feito com a Fundação Cabral, que introduziu um programa de gestão avançada baseada no Watson.

Já em agronegócios, o presidente da IBM considera que há uma grande demanda para novos modelos de negócios baseados em sensorização e exigência de alta precisão das informações. Trata-se de um mercado altamente pulverizado que vem avançando na utilização de plataformas tecnológicas para expandir seus negócios.

Na avaliação de Porto, a computação cognitiva se torna uma parte importante do processo de análise de grande volume de dados, via Big Data. “Enquanto a análise de dados está restrita ás informações dentro de uma corporação, não se sente tanto essa necessidade. Mas à medida que o escopo é ampliado, que os dados não estruturados passam também a serem analisados, a computação cognitiva passa a ser essencial”, ressaltou.

Apesar de todos os sinais de que há “um tsunami” acontecendo que vai mudar radicalmente a forma com que as empresas se organizam e fazem negócios, Porto acredita que o empresário brasileiro ainda está alheio a essa transformação. “O país ainda não percebe a intensidade desse tsunami e as empresas não estão respondendo a ele na velocidade que deveriam”, alertou.

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