Aumenta a colaboração entre os bancos para projetos de blockchain

Aumenta a colaboração entre os bancos para projetos de blockchain

A colaboração entre os bancos para desenvolvimento de projetos comuns que envolvam blockchain está aumentando. Além de alguns esforços, como a inclusão de Bradesco e Itaú no consórcio internacional R3 — que reúne mais de 40 bancos em todo o mundo para discutir padrões e aplicações para a tecnologia — no ano passado algumas provas de conceito com mais instituições financeiras começam a avançar. Entre elas, os testes de uso do blockchain em registro de transações que estão sendo conduzidos pelos dois bancos mais Santander, Banco do Brasil e Citibank. No enanto, apesar dos avanços, a questão da interoperabilidade continua sendo um obstáculo na visão de executivos do mercado financeiro.

A prova de conceito reunindo vários bancos foi anunciada por George Marcel do Bradesco no primeiro dia do evento Emerging Links, que está sendo realizado em São Paulo. “Fico feliz em dizer que nesse momento os bancos estão reunidos para detalhar a PoC (prova de conceito) de registro de transações”, afirmou. O próprio Bradesco, que iniciou sua pesquisa de blockchain em 2015 e hoje tem equipe dedicada ao tema, prevê pilotos este e no próximo ano e inicialmente tem no seu foco soluções de prevenção a fraude. Ao seu lado em alguns desses testes, o banco tem empresas que participaram do seu projeto de apoio à inovação, o InovaBra, como as startups eWally e BitOne, ambas voltadas para transferências de dinheiro no primeiro caso e de remessas internacionais no segundo.

O Itaú também iniciou há dois anos os seus estudos da tecnologia, foi o primeiro banco brasileiro a aderir ao R3 e no ano passado anunciou um centro de excelência para blockchain. A plataforma está sendo testada para soluções internas e a instituição planeja pilotos para novas aplicações. Segundo Igor Freitas, há projetos que estão sendo rodadas nos laboratórios da R3 e que estão disponíveis para provas de conceito dos bancos, como o compartilhamento de pontos de cadastro que gera muito interesse no mercado financeiro. Nesse caso, está sendo utilizado o padrão Corda desenvolvido pelo próprio R3.

O R3 surgiu com a proposta de estudar e criar padrões de blockchain. Sob o comando da startup americana R3 CEV, ele teve início há dois anos com a participação de nove instituições financeiras: Barclays, BBVA, Commonwealth Bank of Australia, Credit Suisse, Goldman Sachs, J.P. Morgan,Royal Bank of Scotland, State Street e UBS. Atualmente, são mais de 60 participantes de vários países. No Brasil, além de Bradesco e Itaú a Bovespa também se tornou uma participante no ano passado. O Santander é outro que faz parte do consórcio por meio de sua matriz na Espanha.

Se há disposição de avançar em provas de conceito e testes piloto, ainda há por parte dos executivos o compasso de espera por algumas definições. Entre elas a interoperabilidade entre os sistemas, um ponto crucial na avaliação de Marcel. “Sem a interoperabilidade hoje temos de avaliar qual a plataforma é melhor para determinado tipo de aplicação”, ressaltou. A interoperabilidade se torna mais necessária à medida que poucos acreditam em um padrão único no futuro. Nem mesmo o R3 trabalha com essa possibilidade. “Não sei se teremos um padrão, mas precisamos pensar em um conjunto mínimo de fabrics e não os 25 que temos hoje. Não faz sentido ter vários fabrics para o mesmo conceito de negócios”, ressaltou Freitas.

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